Noriega denuncia em Paris uma 'montagem bancário-financeira imaginária'

Para ex-ditador panamenho, acusação é conspiração forjada pelos Estados Unidos

Estadão.com.br

29 de junho de 2010 | 11h36

PARIS - O ex-ditador panamenho Manuel Antonio Noriega denunciou nesta terça-feira, 29, uma 'montagem bancário-financeira imaginária" contra ele por parte dos estados Unidos perante ao Tribunal Correcional de Paris que o acusa de lavagem de dinheiro do cartel de Medellín no final da década de 80 na França.

 

"Digo com toda a humildade e respeito que isto é uma montagem bancário-financeira imaginária" dos Estados Unidos, afirmou o antigo homem forte do Panamá nos anos 80, dirigindo-se à presidente do Tribunal, a magistrada Agnés Quantin, de acordo com informações da agência de notícias AFP.

 

O segundo dia de seu julgamento pela suposta lavagem de 2,3 milhões de euros no final dos anos 80, procedentes desse cartel colombiano, o ex-ditador negou qualquer vínculo com narcotraficantes.

 

"Nesse período cumpri com excesso a repressão contra a droga e por isso recebi os melhores elogios dos Estados unidos, da Interpol e de muitos países que se beneficiavam com a luta contra os narcotraficantes", afirmou Noriega que vestia terno preto e camisa branca.

 

Explicou que sendo comandante das forças armadas da defesa, trabalhou "na região para evitar os conflitos que haviam entre as nações da América Central".

 

Após negar-se a ser a "ponta de lança" dos Estados Unidos na região para "arrasar com todas as forças de esquerda e os comunistas" (...) "aí começou a propaganda negativa contra minha pessoa depois de ter tido tantos anos de cooperação aberta com os EUA", acrescentou.

 

"Começou a difamação mediante à guerra psicológica que é o método de destruir a moral pela mentira (...) O método que utilizou Goebbels na Alemanha nazista".

 

Noriega, derrotado em 1989 por tropas americanas, cumpriu 17 anos de prisão em Miami por tráfico de drogas, após converter-se no inimigo número um de Washington, do qual havia sido um fiel aliado na região, além de ser um agente da Agência Central de Inteligência (CIA) desde os anos 70.

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