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'Nos entregaram 50 euros e não deram informações', diz repórter do 'Estado'

Alana Rizzo, jornalista do Grupo Estado, estava no navio que naufragou na costa italiana

Alana Rizzo, de O Estado de S. Paulo,

15 de janeiro de 2012 | 23h42

SÃO PAULO - Pouco antes de deixar Milão, a repórter Alana Rizzo, do Estado, voltou a falar sobre o drama vivido por ela e todos que estavam no navio. Alana, sua família e outros brasileiros retornaram no sábado, 15, ao Brasil.

 

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Segundo ela, a empresa Costa Cruzeiros não prestou a devida assistência. E a volta ao País só foi possível com a ajuda do consulado brasileiro, que emitiu documentos para que eles pudessem embarcar sem passaporte. Eis o depoimento da jornalista:

 

"A Costa Cruzeiros não nos deu a assistência necessária, nem disse como deveríamos proceder. Até agora (tarde de sábado) não recebemos nenhuma informação oficial da empresa. Nos tiraram da ilha, levaram para um porto e de lá para um ginásio. Sem dizer onde estávamos, sem dar qualquer informação oficial. O que sabíamos era dito por tripulantes.

 

Somente depois de muita insistência eles entregaram 50 para cada um. Disseram que era o que poderiam dar no momento e deveríamos procurar pela empresa no aeroporto. Eles também distribuíram vouchers. Mas, quando as pessoas tentavam usá-los para comer, por exemplo, não eram aceitos. O cenário no porto era realmente desolador. Quase ninguém falava português e muitos brasileiros estavam confusos, sem saber o que fazer. Tinha muita gente em pânico e ainda procurando por desaparecidos.

 

Falta de estrutura. Nossa sorte é que estávamos perto da Ilha de Giglio. Se estivéssemos em alto-mar não teria sido possível tirar tanta gente do navio. E a tragédia teria sido maior. Eles não tinham nenhum preparo e o que mais me chamou a atenção foi que não haviam feito nenhum treinamento de emergência com os passageiros. Ninguém sabia o que fazer ou para onde ir. Teve briga para entrar nos botes, empurrões, gente machucada. Era um salve-se quem puder.

 

Ficou claro que eles não tinham botes suficientes, nem experiência para tirar todo mundo de lá. A tripulação também não tinha treinamento adequado, poucos sabiam como descer os botes.

 

Demorou muito tempo para avisarem o que realmente estava acontecendo. Eles diziam que estava tudo bem e as pessoas deviam ficar nas cabines. De repente, com o navio já tombado, eles deram o aviso de que todos deveriam sair.

 

Eu e minha família conseguimos entrar num dos primeiros botes. E da ilha acompanhávamos o que acontecia. O navio tombava e afundava muito rápido. Víamos pessoas subindo para a parte mais alta e ficando penduradas. Teve brasileiro que foi salvo no último minuto, gente que ficou pendurada no deck, sem ter como sair, e foi resgatada por helicóptero.

 

Entre os passageiros estavam muitas crianças e idosos, pessoas com dificuldade de locomoção. Principalmente com o navio torto e escuro. Muitas mães entregaram suas crianças à tripulação para tentar salvá-las. O resgate foi feito de muitas formas e as pessoas levadas para diferentes portos a partir da ilha. A população de Giglio conseguiu se organizar, chamar médicos e distribuir cobertores e chá. Mas só víamos muita gente machucada e em pânico. Todos sem documentos, dinheiro, roupas ou qualquer informação. Todo mundo saiu sem nada."

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