Thomas SAMSON / AFP
Thomas SAMSON / AFP

Notre-Dame não terá missa de Natal pela primeira vez em mais de 200 anos

Seguindo o desejo do presidente francês, Emmanuel Macron, de concluir a restauração da catedral em cinco anos, não haverá recesso de fim de ano

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2019 | 18h40

Pela primeira vez desde 1803, a Catedral de Notre-Dame não celebrará a missa de Natal. Oito meses após o incêndio que atingiu a construção, um guindaste gigante chegou à catedral para desmontar um andaime que a ameaça. Não há nenhuma cerimônia ou procissão prevista em suas imediações, e a missa de Natal será celebrada à meia-noite pelo reitor da catedral, monsenhor Patrick Chauvet, na igreja parisiense de Saint Germain l'Auxerrois, em frente ao Museu do Louvre.

Seguindo o desejo do presidente francês, Emmanuel Macron, de concluir a restauração da Notre-Dame em cinco anos, não haverá recesso de fim de ano, e algumas operações continuam em andamento, enquanto outras foram interrompidas, segundo a instituição pública dirigida pelo general Jean-Louis Georgelin, encarregado por Macron de gerenciar o projeto.

No último dia 16, chegou às instalações de Notre-Dame um guidaste gigante, desmontado, em um comboio de 40 caminhões. Dois dias mais tarde, desembarcou o transformador elétrico, um mecanismo indispensável, que irá alimentar de forma permanente as instalações.

O guindaste, que chegará a 75 metros, pode erguer até oito toneladas, e ficará a cargo de realizar a operação mais delicada de toda a obra de estabilização, a retirada de 10 mil tubos de metal - de 250 toneladas no total. O trabalho, de vários meses, necessita de extensos preparativos, devido à sua complexidade. 

O andaime deformado que se assemelha a uma imensa teia de aranha que se ergue em pleno céu, ameaça a abóbada e o equilíbrio da catedral. Esta joia da arte gótica permanece, oito meses após o incêndio, em situação de emergência absoluta.

O incêndio na catedral gerou uma mobilização extraordinária na França e em todo o mundo, e foram arrecadados 922 milhões de euros em doações e promessas de doações, o que representa um total de 320 mil diferentes contribuições para a restauração.

Por ora, foram construídos dois terços do anel com vigas metálicas em torno do andaime, e resta o anel do nível superior, que será montado em janeiro, graças ao novo guindaste. Paralelamente, está sendo construído um segundo andaime, mais alto, de uma parte à outra do antigo, para que, a partir de vigas equipadas com trilhos, os técnicos possam se locomover.

O desmonte, que poderá levar meses, deve começar em fevereiro. / AFP

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