Novo governo francês sinaliza maior aproximação com Alemanha

O presidente eleito da França, François Hollande, nomeará um político que fala alemão como primeiro-ministro e um político moderado e experiente como ministro das Finanças nesta semana, em uma tentativa de enviar sinais tranquilizadores sobre seus planos para as relações com a Alemanha e o corte no déficit.

ELIZABETH PINEAU E CATHERINE BREMER, REUTERS

14 Maio 2012 | 17h13

Jean-Marc Ayrault, que deve ser indicado premiê, tem contatos estreitos com o establishment de Berlim, o que o tornaria um ator útil nos bastidores, à medida que Hollande busca desviar o foco da Alemanha nas promessas de austeridade.

O próximo chefe de Estado, que viaja a Berlim para conversar com a chanceler Angela Merkel na terça-feira horas antes de assumir o cargo, deve nomear Michel Sapin, de 60 anos, como ministro das Finanças, posto ocupado por ele há duas décadas.

Ele também deve nomear Pierre Moscovici, outro peso-pesado do Partido Socialista que fez a campanha eleitoral de Hollande e é ex-ministro europeu, para o Ministério dos Assuntos Europeus.

Ayrault, Sapin e Moscovici, cujo papel ainda estava por decidir depois que ele recusou o posto de ministro-chefe da Casa Civil, deverão ser atores importantes dentro do plano de Hollande de incluir medidas para o crescimento dentro do pacto fiscal da zona do euro e dar às instituições europeias e aos Parlamentos nacionais mais voz na política.

O retorno da crise na zona do euro, com o governo grego dentro de um turbilhão por causa das medidas de austeridade, pressiona Hollande a formar uma equipe que esteja comprometida com o corte do déficit, apesar de suas promessas de emprego no setor público e fazer mudanças na reforma da aposentadoria.

"Os presidentes normalmente são julgados ao final de seus mandatos, mas muito dependerá do início", disse Hollande a jornalistas nesta segunda-feira. "Temos algumas semanas movimentadas pela frente."

Ele poderá ser ajudado por uma revisão nas finanças públicas que o permitiria reduzir as previsões de crescimento herdadas pelo conservador Nicolas Sarkozy e justificar uma decisão de colocar algumas promessas de gastos em compasso de espera.

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