Novo governo grego obtém voto de confiança do Parlamento

O Parlamento da Grécia aprovou nesta segunda-feira o novo governo, liderado pelos conservadores e que agora enfrentará uma tarefa muito mais difícil: convencer os parceiros europeus e o Fundo Monetário Internacional (FMI) a concederem um prazo maior ao país para cumprir os termos do pacote de resgate.

GEORGE GEORGIO, Reuters

09 de julho de 2012 | 08h44

Havia poucas dúvidas de que o governo obtivesse o voto de confiança do Parlamento depois de três dias de acalorado debate, durante os quais a coalizão se comprometeu a obter o apoio dos credores.

Todos os 179 parlamentares dos partidos que compõem a coalizão do governo --de um total de 300 no Parlamento-- aprovaram a moção de confiança.

Depois de exigir uma longa lista de mudanças no último pacote de resgate, a qual vai apresentar aos credores, a coalizão de três partidos assumiu um tom mais conciliador nos últimos dias, já que o país está diante da possibilidade de ficar sem dinheiro se não obtiver mais ajuda.

O governo se comprometeu a impulsionar privatizações e reformas estruturais discutidas há bastante tempo, dizendo que esses são os primeiros passos para reconquistar a confiança dos credores.

"Nós não queremos alterar as metas do pacote de resgate, mas aquilo que está causando recessão e nos impedindo de atingir essas metas", disse o primeiro-ministro Antonis Samaras, em um discurso antes da votação.

"Estamos dizendo a mesma coisa todo o tempo: o único meio de evitar a insolvência e a saída do euro é por meio do crescimento e investimentos."

O ministro das Finanças, Yannis Stournaras, disse que já foi alertado por autoridades representando os credores, que estiveram em visita à Grécia, que ele terá um dia difícil na reunião dos ministros das finanças do Eurogrupo nesta segunda-feira. Stournaras vem tentando baixar as expectativas dos gregos quanto a uma rápida revisão das duras condições de austeridade incluídas no pacote de ajuda ao país.

O governo de Samara terá de fazer malabarismos diante das exigências extremadas da população e dos credores.

Diante da enorme insatisfação contra cortes de gastos públicos e de salários imposta pelo pacote de resgate de 130 bilhões de euros, e tendo de enfrentar uma esquerda fortalecida que critica esse empréstimo, Samaras prometeu aos eleitores cansados da crise que os termos duros dos credores serão suavizados.

Mas num momento em que a Grécia se encontra à beira da falência se não obtiver a nova parcela de ajuda dentro de semanas, o governo terá de adotar um tom diferente no exterior, prometendo que o país vai seguir as medidas de austeridade, na esperança de convencer os credores de que merece mais prazo, dinheiro e flexibilidade.

Stournaras procurou reduzir algumas das preocupações da chamada troika, formada pela União Europeia, Banco Central Europeu e FMI, ao prometer acelerar o plano de privatizações, que está paralisado, e implementar reformas estruturais.

A Grécia está no quinto ano de recessão, tendo aproximadamente um em cada quatro trabalhadores desempregados.

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