Novo homem no Kremlin segue estilo diferente de Putin

O presidente russo, Dmitry Medvedev,minimizou as diferenças de seu modo de agir em relação ao deseu antecessor, Vladimir Putin, durante entrevista à Reuters,mas é evidente o contraste de tom e estilo entre os doishomens. Há muito tempo aliado de Putin, Medvedev se apresentoudurante a campanha eleitoral deste ano para a Presidência comoum político que daria continuidade ao governo de Putin erepetiu esse mantra durante a entrevista, dizendo que aessência das políticas de Putin não será mudada. "Os políticos também são pessoas e eles devem ter um tompróprio e um estilo próprio", disse Meedvedev. "Mas isso nãomuda as doutrinas básicas da política do governo." Isto posto, o novo presidente transmitiu a mensagem deMoscou em palavras muito diferentes das de seu antecessor. Durante a longa conversa de uma hora e meia não houvenenhum dos duros ataques contra o Ocidente que se tornaram umamarca de Putin em seus últimos anos como presidente. Em vez disso, ao escolher suas palavras cuidadosamente, onovo homem no Kremlin enfatizou liberdade, a lei e apropriedade privada. Analistas e diplomatas em Moscou estão divididos sobreMedvedev, um advogado por formação que conheceu Putin quando osdois trabalharam juntos no gabinete do prefeito de SãoPetersburgo. Putin o indicou em dezembro como sucessor. Alguns, incluindo embaixadores de países do Ocidente, vêemMedvedev como uma escolha intencional de alguém mais liberal,prenunciando uma nova fase do plano de longo prazo de Putinpara a Rússia, que terá ênfase na liberdade, propriedadeprivada e investimento estrangeiro. Outros, incluindo falcões da era da Guerra Fria, tendem avê-lo com suspeita, como alguém do sistema moldado por seusanos no Kremlin que acabará sendo pouco mais do que umamarionete de Putin. As declarações de Medvedev à Reuters, em sua primeiraentrevista a um órgão de imprensa ocidental desde que assumiu opoder em maio, pareceram mais propensas a ter mais a ver com oprimeiro grupo de analistas do que com os falcões. Enquanto Putin atacava furiosamente os planos de expansãoda Otan para perto das fronteiras da Rússia, acusava Washingtonde iniciar uma nova corrida armamentista com seu plano deescudo antimísseis e de cortar ligações de transporte com avizinha Geórgia, que integrou a União Soviética, Medvedev nãomencionou nenhuma dessas questões. A essência da política externa da Rússia, disse ele, será adefesa do interesse nacional, mas ela será guiada pela"liberdade, democracia e o direito à propriedade privada". Ao ser indagado sobre as críticas da política externarussa, Medvedev evitou as acusações de Putin contra ahipocrisia e do duplo padrão do Ocidente. Reclamações eram algo normal -- disse ele -- afinal, Moscoutambém teve problemas com outras nações. Quando a Reuters lhe perguntou sobre as ameaças à Rússia,ele listou problemas comuns a vários países e citou pobreza ecorrupção como problemas específicos da Rússia.

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