Novo líder chinês se reúne como 'bom amigo' Putin em Moscou

O líder chinês, Xi Jinping, demonstrou a importância dos laços crescentes de Pequim com a Rússia nesta sexta-feira, indo a Moscou em sua primeira viagem internacional como presidente e dizendo a Vladimir Putin que ele era um bom amigo.

ALEXEI ANISHCHUK E TIMOTHY HERITAGE, Reuters

22 de março de 2013 | 11h51

A escolha do destino de Xi enviou um sinal para os Estados Unidos de que o maior produtor de energia do mundo, a Rússia, e o maior consumidor, a China, querem reforçar sua influência conjunta como um contrapeso financeiro e geopolítico a Washington.

Putin há muito tem procurado enfraquecer a influência dos EUA no exterior, enquanto a China está lutando contra o crescente interesse militar e econômico demonstrado pelos Estados Unidos em sua região desde 2011.

Xi tornou-se o primeiro convidado estrangeiro a ser recebido no Kremlin por uma escolta honorária de cavalaria criada por Putin em 2002, disseram autoridades, salientando a importância que o presidente russo atribui ao relacionamento.

Putin, de 60 anos, cumprimentou Xi com um aperto de mão firme e um sorriso, e em seguida, conduziu o líder chinês por um tapete vermelho passando por uma longa fila de autoridades até entrarem na Sala Verde do Kremlin. Ambos sorriam e pareciam relaxados, apesar da formalidade da ocasião.

"As relações russo-chinesas são um fator muito importante na política mundial", disse Putin, no início das conversas. "Estou certo de que sua visita... vai dar aos laços russo-chineses um novo e poderoso impulso."

Xi respondeu, através de um tradutor, dizendo a Putin: "Tenho a impressão de que você e eu sempre tratamos um ao outro com a alma aberta, nossos caracteres são iguais. Falamos sempre em bons modos, você e eu somos bons amigos.".

Xi, que assumiu o cargo este mês, já se encontrou com Putin antes, inclusive em Moscou. Ambos os países têm cada vez mais enfatizado a importância do desenvolvimento de laços que nunca atingiram totalmente a expectativa de seus líderes.

O encontro no Kremlin deve ser coroado com acordos que vão tornar Pequim o maior cliente do petróleo da Rússia, apesar de um acordo há muito esperado sobre o fornecimento de gás canalizado para a China provavelmente não ser assinado.

Em outro sinal das intenções dos líderes, pouco antes da chegada de Xi um acordo de 2 bilhões de dólares foi anunciado por empresas russas e chinesas para desenvolver recursos de carvão na Sibéria oriental.

Putin disse que deseja "pegar o vento favorável chinês no nosso veleiro econômico" e que a vontade se tornará mais forte se a China ultrapassar os Estados Unidos como a maior economia do mundo durante o mandato de 10 anos de Xi.

A visita de Xi ofuscou uma reunião entre líderes do governo russo e da União Europeia, que também acontece em Moscou.

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