Novo presidente alemão promete manter país longe do extremismo

O ex-pastor protestante e ativista anticomunista da antiga Alemanha Oriental Joachim Gauck prestou juramento na sexta-feira como o 11o presidente da Alemanha pós-guerra, com a promessa de usar sua experiência com uma tirania para lutar contra a extrema direita e outros extremistas.

STE, REUTERS

23 Março 2012 | 16h34

A eleição de Gauck, de 72 anos, no último domingo trouxe esperanças de que uma personalidade carismática com tamanha envergadura ética possa reviver a fé em um cargo em grande parte cerimonial, mas de importância simbólica para a Alemanha depois da saída vergonhosa de seu antecessor.

"Gostaria de pedir um presente a todos: a confiança de vocês", disse Gauck em um discurso emocionante no Reichstag, o Parlamento alemão que foi incendiado em 1933 e bombardeado durante a Segunda Guerra Mundial.

A chanceler Angela Merkel e parlamentares de todas as tendências políticas aplaudiram calorosamente o discurso inaugural do presidente.

Apesar da história em comum - Merkel é filha de um pastor da Alemanha Oriental e cresceu na época do comunismo --, ela se opôs à primeira candidatura dele em 2010 em favor de seu colega conservador, Christian Wulff.

Wulff deixou o cargo no mês passado desmoralizado com uma investigação sobre suas finanças pessoais.

Desta vez, Merkel teve de aceitar Gauck, que não é filiado a nenhum partido, mas foi indicado pela oposição de centro esquerda e obteve apoio até mesmo dos aliados liberais da chanceler.

Gauck não representa uma ameaça ao domínio de Merkel na política nacional, mas sua autoridade moral, independência de pensamento e ausência de filiação política o tornam um parceiro estranho ao governo, enquanto se luta para superar a crise econômica na Europa.

"A sua eleição como chefe de Estado abre um novo capítulo na história da união alemã", disse Norbert Lammert, presidente do Bundestag (a câmera baixa do Paralmento), a quem Gauck prestou juramento.

Com a eloquência de um pastor, Gauck elogiou o milagre econômico do pós-guerra e a vocação democrática da Alemanha Ocidental, mas também mencionou fracassos como "a supressão da culpa e a falta de empatia com as vítimas do regime nazista."

Gauck disse que a reunificação das duas Alemanhas em 1990 criou "um povo", que agora tem de defender a democracia com determinação.

A ameaça neonazista desta de volta às manchetes dos jornais depois que a polícia desmantelou uma célula de extrema direita que matou nove imigrantes no ano passado.

"Especialmente aos extremistas de direita que odeiam a democracia, dizemos claramente: o seu ódio é nossa motivação para não abandonar nosso país. Não lhes daremos de presente o nosso medo."

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