Novo presidente turco aprova gabinete pró-UE

Abdullah Gul, primeiro líder islâmico no poder no país, ratifica Executivo dividido entre islâmicos e laicos

Associated Press e Reuters,

29 de agosto de 2007 | 13h53

O novo presidente da Turquia, Abdullah Gul, aprovou nesta quarta-feira, 29, um gabinete de governo composto por políticos islâmicos e laicos um dia depois de prometer respeitar o caráter secular da Constituição do país. O Executivo pró-reformas e pró-União Européia, deve pressionar as reformas políticas e econômicas necessárias para que o país entre no bloco.Gul, que como ministro das Relações Exteriores ajudou a Turquia a começar a negociar sua entrada na UE, em 2005, é o primeiro político com histórico islamita a se tornar presidente na República laica de maioria muçulmana, mesmo com a oposição dos militares.  Os opositores de Gul prometem acompanhar de perto suas decisões como presidente. Eles temem que o novo presidente viole o caráter laico da Constituição do país. Depois de se reunir com Gul no palácio presidencial, um dia depois da eleição indireta e da posse do novo presidente, o primeiro-ministro, Tayyip Erdogan, nomeou Ali Babacan para suceder Gul no cargo de ministro das Relações Exteriores.  Babacan também vai continuar no papel de negociador-chefe da entrada da Turquia na UE.Kemal Unakitan permanece no cargo de ministro das Finanças, e o ex-banqueiro Nazim Ekren foi nomeado ministro responsável por coordenar as questões econômicas, um posto importante, tendo em vista as reformas econômicas pretendidas pelo governo."Preparei o novo gabinete como uma equipe que tenha os recursos para concretizar nossas metas. Acredito que formamos uma equipe forte", disse Erdogan a repórteres. O partido governista AK obteve uma grande vitória nas urnas em julho, mas não conseguia formar o novo governo por causa das objeções impostas pelo antecessor de Gul, o secularista Ahmet Necdet Sezer.Reação do Exército Os turcos acompanhavam de perto a reação dos militares a Gul, depois de o chefe das Forças Armadas não ter comparecido à cerimônia de posse na terça-feira. A elite militar teme que o presidente acabe com a separação entre Estado e religião.Os militares turcos consideram-se os últimos guardiães da República secular fundada por Mustafa Kemal Ataturk, e já derrubaram quatro governos nos últimos 60 anos - o último golpe aconteceu em 1997, e a administração, tachada de islamita demais, tinha Gul como ministro.Muitos turcos torcem para que os meses de turbulência política causada pelo impasse entre o Partido AK e a elite laica, que inclui generais, juízes e políticos, tenham chegado ao fim.O tom do discurso de posse de Gul foi conciliatório, e ele prometeu manter o sistema secular. "Gul é acima de tudo um conciliador", disse Mehmet Ali Birand, um importante analista político da Turquia.A polêmica em torno de Gul é simbolizada pelo fato de sua mulher usar o véu muçulmano, paramento proibido em prédios públicos e universidades.

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