Novos confrontos marcam dia de greve geral na Grécia

Cerca de dez mil pessoas participam de marcha convocada por sindicatos apesar de distúrbios no país

Agências internacionais,

10 de dezembro de 2008 | 09h24

Confrontos entre policiais e manifestantes marcaram uma marcha de mais de dez mil pessoas no centro de Atenas nesta quarta-feira, 10. Mais de 10 mil pessoas estão realizando manifestações na capital grega pelo descontentamento com as políticas econômicas do governo, após quatro noites de violência no país detonadas pela morte de um jovem por policiais. A polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo para conter um grupo de jovens que lançavam coquetéis Molotov e pedras nos arredores do Parlamento.   Veja também: Gilles Lapouge: Sistema político arcaico imobiliza a Grécia  Protestos ameaçam sobrevivência do governo  Galeria de fotos dos protestos    A paralisação por melhores salários e pensões estava convocada há algumas semanas, mas os sindicatos rejeitaram um apelo de cancelamento feito pelo primeiro-ministro Costas Karamanlis, diante do ocorrido nos últimos dias. Os confrontos recentes começaram depois que o adolescente Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, foi morto por um policial em Atenas. Os sindicatos rejeitaram os apelos de cancelamento, afirmando também que os gregos têm o direito de protestar contra as dificuldades financeiras. Os serviços de emergência estão em alerta pela cidade.   Em Atenas, os jovens começaram a jogar bombas de gasolina, pedras e outros objetos contra as forças da ordem. Protegidos por escudos, policiais responderam com bombas de gás lacrimogêneo. Em Tessalonica, no norte do país, também foram registrados enfrentamentos.   O adolescente foi morto pela polícia a tiros na noite de sábado, em um caso não totalmente esclarecido. Dois policiais foram presos - um deles acusados por homicídio. Os policiais alegam que não fizeram nada ilegal, porém testemunhas afirmam que eles atiraram contra um grupo de jovens. A crise ganha novos contornos, em meio ao descontentamento com o atual governo. Os conservadores lutam pela implementação de reformas sociais duras, em meio às incertezas por causa da crise internacional. O grupo do primeiro-ministro tem uma vantagem de apenas uma cadeira, no Parlamento de 300 membros. Karamanlis até agora rejeita as pressões para que renuncie e convoque eleições.   "O governo não consegue lidar com essa crise e perdeu a confiança do povo grego", afirmou o líder oposicionista George Papandreou, dos Socialistas. Grupos em sua maioria formados por jovens mascarados tomaram as ruas de várias cidades gregas, virando carros, depredando lojas e incendiando latas de lixo. Vários proprietários reclamam que a polícia antidistúrbio é incapaz de proteger as propriedades.   Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo jornal Kathimerini mostra que, para 68% dos consultados, o governo lidou incorretamente com a crise. Apenas 18% dos entrevistados concordam com a atuação governamental. A sondagem da empresa Public Issues tem margem de erro de 4,5 pontos, para mais ou para menos.

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