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Novos fortes tremores causam pânico na Itália; mortos são 179

Mais de cem são retirados com vida de escombros em Áquila; 33 pessoas continuam desaparecidas

Agências internacionais,

07 de abril de 2009 | 07h45

Dois fortes tremores, um deles de 4,3 graus de magnitude na escala Richter, abalaram nesta terça-feira, 7, a cidade italiana de Áquila, a 95 quilômetros de Roma. A defesa civil italiana elevou para 179 o número de mortos no desastre e afirmou que 33 pessoas estão desaparecidas. Mais de cem pessoas foram retiradas com vida dos escombros. O número oficial de desabrigados é de 17 mil, entre a cidade de Áquila e os 26 municípios vizinhos afetados pelo abalo sísmico.

 

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O primeiro tremor, que aconteceu por volta das 11h26 (6h26, Brasília) e foi de 4,3 graus, foi seguido por outro ainda mais forte, seis minutos depois, que gerou enorme pânico entre a população, como contam fontes de Defesa Civil. Os abalos derrubaram pedras e pedaços de edifícios já danificados. Mais de 280 réplicas foram registradas pelos sismógrafos desde o primeiro terremoto, na madrugada de segunda-feira (horário local).

 

As equipes de resgate, formadas por bombeiros e voluntários, trabalharam a noite toda, apesar do frio e da chuva forte. Pelo menos 5 mil pessoas trabalham na operação de resgate. Cerca de 100 pessoas foram retiradas dos escombros, mas com muitos ainda desaparecidos a defesa civil diz que as esperanças de encontrar mais alguém com vida diminui a cada hora.

 

Mais de 24 horas depois de que o tremor sacudiu a região de Abruzzo, no centro da Itália, equipes de emergência retiraram dois estudantes na manhã de terça-feira dos escombros de prédios em Áquila, a cidade de montanhas medieval de 68 mil habitantes que foi a mais atingida pelo desastre.O terremoto, que registrou entre 5,8 graus e 6,3 graus na escala Richter, ocorreu pouco depois das 3h30 da manhã de segunda-feira (horário local), surpreendendo os moradores que dormiam em suas casas, derrubando igrejas antigas e outras edificações em 26 cidades. Autoridades da defesa civil estimaram que dois terços das edificações ruíram em Áquila.

 

O caso da estudante Marta, de 24 anos, tirada dos escombros 23 horas depois do terremoto, comoveu os italianos. Os bombeiros encontraram Marta deitada na cama, imobilizada, presa sob os escombros do prédio de quatro andares onde morava, no centro de Áquila. Ao lado de seu corpo havia uma trave de concreto, que tinha caído do teto e serviu como escudo, protegendo a moça durante o desabamento. Marta foi retirada depois de cinco horas de escavações, às 2h00 da madrugada (21h00, hora de Brasília), sob os aplausos emocionados de parentes e amigos que aguardavam aflitos. "Foi um resgate muito difícil porque havia traves prestes a cair muito perto dela e precisava ter cuidado para não provocar mais desabamentos", disse um dos bombeiros que trabalharam no resgate.

 

Áquila é uma cidade universitária e recebe estudantes de diversas regiões italianas, que se mudam para lá para cursar a faculdade. Muitos deles viviam na "Casa do Estudante", um prédio de quatro andares no centro da cidade, que desabou com o terremoto.

 

A defesa civil improvisou um acampamento nos arredores da cidade para atender os desabrigados. Voluntários estão distribuindo cobertores, comida e água, mas a ajuda não é suficiente para atender a todos que necessitam. Muita gente que teve que abandonar suas casas foi obrigada a dormir nos carros pois não havia tendas para todos. Durante a noite fez muito frio e a chuva persistente aumentou o desconforto.

 

Drama dos sobreviventes

 

Muitos dos moradores passaram a noite em carros e tendas de campanha, e continuaram as buscas por parentes e amigos. A maioria se concentrou no campo de atletismo da cidade para perguntar se sabiam do paradeiro de conhecidos, evitando perguntas dos jornalistas. Alguns dos desabrigados procuraram o hospital de campanha colocado perto do campo ou o centro de registro dos que ficaram sem casa, diante do qual há filas para verificar listas.

 

Fontes dos serviços de emergência disseram que ainda não houve a apuração definitiva dos desabrigados que dormiram nas tendas de campanha, nem se sabe quantas pessoas passaram a noite no carro. Também não se sabe quantas pessoas deixaram a cidade e foram para Pescara, a 100 quilômetros de L'Aquila, dormir nos hotéis do Adriático.

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