Nuvem de cinzas cancela voos na Grã-Bretanha e preocupa Europa

Cerca de 250 voos para o norte da Grã-Bretanha foram cancelados nesta terça-feira devido a preocupações com a nuvem de cinzas lançada por um vulcão islandês, mas autoridades britânicas e irlandesas descartaram um amplo fechamento do espaço aéreo.

MICHAEL HOLDEN E OMAR VALDIMARSSON, REUTERS

24 de maio de 2011 | 10h37

A erupção do vulcão Grimsvotn despertou temores de uma repetição do caos aéreo provocado também por um vulcão da Islândia que impediu 10 milhões de passageiros de voar e custou à indústria aérea perdas estimadas em 1,7 bilhão de dólares no ano passado.

Autoridades do setor disseram que mudanças nas regras sobre como as companhias aéreas e autoridades da aviação civil decidem os riscos de voo devem ter como efeito reduzir as interrupções nas viagens em relação a 2010.

A agência de tráfego aéreo europeia Eurocontrol disse que 250 voos foram cancelados no espaço aéreo britânico, enquanto a nuvem de cinzas rumava para da Islândia para o sul.

O presidente dos EUA, Barack Obama, deixou a Irlanda a caminho da Grã-Bretanha no final da segunda-feira antes do programado, e o técnico do Barcelona, Pep Guardiola, disse estar cogitando levar seu time a Londres mais cedo para a final da Liga dos Campeões no sábado contra o Manchester United.

Mas autoridades rejeitaram a ideia de uma proibição generalizada de voos.

"Não haverá qualquer fechamento", disse o secretário britânico dos Transportes, Philip Hammond, à rádio BBC. "Adotamos uma maneira diferente de trabalhar, não vamos fechar o espaço aéreo."

"Embora ainda vá haver cinza sobre grandes porções da Grã-Bretanha durante parte desta semana, isto não irá deter a atividade aérea."

A Eurocontrol disse que se as emissões vulcânicas continuarem no mesmo ritmo, a nuvem pode chegar ao espaço aéreo sobre o oeste da França e o norte da Espanha na quinta-feira. O presidente francês Nicolas Sarkozy deve receber Obama e outros líderes do G8 no norte do país nesta semana.

A Autoridade de Aviação Irlandesa afirmou que não fechará nenhum aeroporto, mas a Ryanair, que cancelou 36 voos entre a Escócia e cidades por toda a Europa, se queixou de que a Autoridade Irlandesa a impediu de voar para aeroportos escoceses durante toda a manhã.

"A Ryanair acredita que não há risco de segurança às aeronaves em voos operados para e da Escócia", disse a empresa em um comunicado sobre o que chamou de "cancelamentos desnecessários".

Michael O'Leary, o chefe da companhia, foi um crítico contundente das restrições impostas às empresas aéreas no ano passado por conta das preocupações de que partículas de cinzas pudessem causar problemas nos motores das aeronaves.

Na segunda-feira ele afirmou estar cautelosamente otimista que os organismos reguladores não irão "bagunçar tudo de novo este ano".

Várias outras linhas aéreas também cancelaram voos para a Escócia, incluindo British Airways, EasyJet, Aer Lingus, KLM, parte da Air France-KLM, e a nórdica SAS. As ações das empresas aéreas, que caíram na segunda-feira, oscilavam entre estáveis e pouco mais baixas.

A Eurocontrol disse que as cinzas podem afetar voos em partes da Dinamarca e do sul da Escandinávia nesta terça-feira.

Ironicamente, o principal aeroporto internacional escandinavo, o Keflavik, operava normalmente depois de ser fechado no final de semana e a maior parte da segunda-feira, mas vários voos para a Grã-Bretanha haviam sido cancelados.

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