Nuvem de cinzas já causou 17 mil cancelamentos de voos na Europa

Número de passageiros afetados somente nesta sexta-feira será de mais de 1,3 milhão

Efe

16 de abril de 2010 | 10h12

 

LONDRES - A nuvem de cinza gerada pela erupção de um vulcão na Islândia causou até a manhã desta sexta-feira, 16, o cancelamento de 17 mil voos em toda a Europa desde a quinta-feira, quando os aeroportos tiveram suas atividades prejudicadas ou interrompidas, segundo a Agência Europeia para a Segurança na Navegação Aérea (Eurocontrol).

 

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Estava previsto que 28 mil aviões circulassem na quinta-feira pelo espaço aéreo europeu, mas só 20 mil decolaram. Além disso, segundo as últimas previsões, nesta sexta apenas 11 mil voos vão poder voar, segundo as mesmas fontes. A Eurocontrol informou que os aeroportos de Londres e Amsterdã são os mais afetados até o momento.

 

O espaço aéreo permanece completamente fechado na Irlanda, Reino Unido, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, Estônia, o norte da França (incluindo todos os aeroportos de Paris), algumas zonas da Alemanha (Düsseldorf, Colônia, Hamburgo, Berlim e Frankfurt) e da Polônia (incluído o aeroporto de Varsóvia).

 

O responsável de imprensa da Eurocontrol, Kayla Evans, indicou que vários especialistas vigiam a evolução da nuvem que sai do centro do vulcão e que por enquanto se dirige rumo ao leste, para ver quando é seguro reabrir o espaço aéreo, mas "os dados mudam minuto a minuto".

 

Segundo as últimas informações da própria entidade, cerca de 1,36 milhão de passageiros serão afetados só nesta sexta-feira pelos cancelamentos de voos na Europa.

 

Thomas Uber, porta-voz do aeroporto de Frankfurt, um dos maiores da Europa, disse que "ninguém sabe" quanto durará o fechamento do local, mas disse que a abertura deve ocorrer muito depois das previsões iniciais. "A nuvem está bem ao norte, mas estamos considerando o lado da segurança", disse.

 

Expansão

 

A Eurocontrol alertou para a possibilidade de a nuvem de cinza provocar "perturbações significativas" do tráfego aéreo no sul do continente no sábado. "A parte sul da Europa continua limpa, mas pode ser que a nuvem se expanda para essa região durante a noite", explicou em entrevista coletiva Brian Flynn, subdiretor de operações de Eurocontrol.

 

Conforme a agência, os problemas no tráfego aéreo devem continuar amanhã. "Não temos previsões além das 06h no horário local (1h em Brasília), mas dado que a nuvem avançou muito lentamente pensamos que é possível que amanhã as perturbações continuarão significativas", assinalou Flynn. "Na prática, perderemos 50% do movimento de passageiros na Europa", explicou Flynn.

 

Ventos

 

Especialistas em meteorologia afirmam que os ventos desempenham um papel fundamental no deslocamento das nuvens, segundo a agência de notícias CNN. "As cinzas vulcânicas são transportadas primariamente pelos ventos superiores. Uma vez que elas são lançadas na atmosfera, são os ventos e a gravidade que agem sobre seu deslocamento", disse Brandon Miller.

 

Embora os ventos estivessem empurrando as cinzas em direção ao restante do continente, a ocorrência de uma tempestade poderia fazer com que a nuvem não se espalhe mais, segundo Patrick Murphy, do Centro Nacional de Meteorologia da Aviação dos EUA.

 

"Se houver uma paralisação dos ventos, a poeira vai parar de se mover, mas também haverá uma concentração maior de cinzas", continuou. Nesse caso a visibilidade ficaria extremamente prejudicada.

 

Miller, porém, disse que a dispersão das cinzas faz com que a visibilidade aumente e as viagens fiquem menos perigosas. O problema, no entanto, está na regularidade com que o Eyjafjallajoekull expele cinzas. "O problema é que o vulcão ainda está e erupção, e as cinzas continuarão a ser movidas pelos ventos", concluiu.

 

Consequências e duração

 

Não são só os voos que devem sofrer com a nuvem de cinzas expelida pelo vulcão da geleira Eyjafjallajoekull, do sul da Islândia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que avalia os riscos que a poeira pode trazer para a saúde do europeus. De acordo com o órgão "algumas das partículas que contêm as cinzas de um vulcão são perigosas e podem afetar os pulmões". Por enquanto não há riscos, já que a nuvem está muito alta na atmosfera, mas algumas pessoas devem apresentar roblemas respiratórios conforme a poeira se aproximar da superfície.

 

A atividade vulcânica do Eyjafjallajoekull, que começou na quarta, não dá sinais de que possa diminuir, e especialistas dizem a nuvem pode continuar a ser expelida por semanas. O Centro de Alertas Vulcânicos de Londres informou durante a tarde que as erupções "continuavam significativamente" e expeliam "episódicos" volumes de cinzas. Embora as quantidades de poeira não sejam conhecidas, a entidade afirmou que é difícil que as cinzas cheguem à altura de 35 mil pés, altitude padrão de voo para a maioria das aeronaves.

 

A Organização Mundial de Meteorologia (OMM) também emitiu um comunicado anunciando que não há como prever a expansão da nuvem de cinzas. Segundo a entidade só será possível estipular a dissipação da poeira quando as atividades vulcânicas cessarem. O tempo que as erupções vão durar, porém, é inderterminado, segundo especilistas.

 

 

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