Nuvem de cinzas mostra que é preciso um melhor sistema ferroviário europeu

Sistema de trens mais eficiente deve ser perspectiva de longo prazo, diz União Europeia

Reuters

20 de abril de 2010 | 12h30

BRUXELAS - O caos aéreo gerado pelas cinzas vulcânicas lançadas na atmosfera por um vulcão islandês mostra para a Europa que é necessária um grande melhoria em suas malhas ferroviárias, disse nestas terça-feira um membro do comitê de transportes da União Europeia.

 

"Os Estados membros devem finalmente aprender uma lição com o que aconteceu", disse Marian-Jean Marinescu, membro da assembleia do comitê de transportes, na cidade francesa de Estrasburgo.

 

"A modernização do nosso transporte ferroviário é uma prioridade. Falamos muito sobre isso, mas não fazemos muito. Na Europa de hoje você não pode comprar um bilhete de trem para viajar de uma forma civilizada do norte ao sul da Europa".

 

Viajantes queixam-se frequentemente que têm que comprar os bilhetes para cada etapa de sua viagem se estiverem viajando entre os países europeus, que é difícil encontrar informações claras sobre as ligações internacionais e que o custo é muitas vezes proibitivo.

 

As condições a bordo são às vezes deploráveis. Hannes Swoboda, um socialista austríaco, disse que nos últimos dias usou trens para viajar de Belgrado para Viena e de Viena e Estrasburgo, e encontrou os trens em condições "muito triste".

 

"Os banheiros do trem foram completamente bloqueado porque tantas pessoas estavam no trem e tentando usá-los. Os corredores estavam cheios de pessoas sentadas neles, porque não havia assentos suficientes", disse ele. "Foi um grande desastre, posso garantir-lhes."

 

Chefe da assembleia promete ações

 

O presidente do Parlamento Europeu Jerzy Buzek revelou em uma declaração por escrito que ações são necessárias para assegurar o bloco que representa mais de 500 milhões de pessoas desenvolva a sua rede ferroviária e não seja apanhado desprevenido novamente.

 

"Essa crise nos lembra o quão importante é investir em todas as formas de transporte numa perspectiva de longo prazo", disse ele.

 

"Nós temos experimentado nos últimos dias o que significa estar preso em um aeroporto,sendo forçado a encontrar meios alternativos de viajar. Outras formas de transporte nem sempre são adequados para longas viagens ou emergências."

 

A União Europeia tem trabalhado sobre a possibilidade de abertura de mercados ferroviários nacionais para uma maior concorrência desde 2001 e introduziu nova legislação este ano para ajudar a implementar seus planos, mas tem enfrentado problemas por causa da lentidão em alguns Estados-membros.

 

A Comissão Europeia diz que alguns países ainda não criaram condições de concorrência equitativas em questões como o acesso à infraestrutura e fixação de preços.

 

Ele acusou alguns Estados-membros no ano passado, de avançar para o protecionismo durante a crise econômica, exigindo retração das leis existentes, bem como a legislação que ainda estava em discussão.

 

"A liberalização dos serviços internacionais aconteceu no início do ano, e devemos ver os efeitos breve", disse Libor Lochman, diretor executivo adjunto da Comunidade da Ferrovias e Empresas de Infraestrutura.

 

Ele disse que os passageiros começaram recentemente a ser capazes de utilizar trens de alta velocidade entre Bruxelas e Frankfurt, entre Paris e Frankfurt, e no túnel que liga a Grã-Bretanha e a Europa continental viriam a ser abertos à concorrência.

 

"Nós veremos uma expansão de linhas de alta velocidade na França, Itália, Espanha e Reino Unido nos próximos cinco a 10 anos, e os serviços internacionais acompanharão de perto", disse ele.

 

"No entanto, aumento de serviços internacionais de alta velocidade depende da disponibilidade de linhas de alta velocidade. Construção de uma nova infraestrutura é extremamente dependente do financiamento e que é sobretudo uma decisão para os Estados membros".

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