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Obama chega à Rússia e se diz confiante em progresso

Na 1ª visita do americano, EUA e Rússia ficam mais perto de um novo acordo de desarmamento nuclear

06 de julho de 2009 | 08h52

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, desembarcou nesta segunda-feira, 6, na Rússia, onde deve anunciar um acordo para negociar um novo tratado de redução de armamentos nucleares durante reunião com seu homólogo russo, Dmitri Medvedev. Obama afirmou estar confiante que as discussões com o chefe do Kremlin, Dmitri Medvedev, poderão render um "extraordinário progresso" nas relações entre os dois países em diversas questões.

 

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"Estamos confiantes que podemos continuar a avançar das excelentes discussões que tivemos em Londres", disse Obama a Medvedev no início do encontro no Kremlin. "E isto no conjunto de inúmeras questões - incluindo segurança, economia, energia, meio ambiente - que os Estados Unidos e a Rússia têm mais em comum do que divergências. E se nós trabalharmos pesado nestes próximos dias, podemos ter um extraordinário progresso que poderá beneficiar as pessoas dos dois países", disse o presidente norte-americano. "Estados Unidos e Rússia têm mais coisas em comum do que diferenças", disse o americano.

 

Medvedev afirmou que os dois presidentes "fecharão algumas das páginas do passado e abrirão páginas no futuro". "Nossos países enfrentam diversos problemas, que agora nós resolvemos de maneira conjunta: são problemas econômicos, problemas de segurança mundial e problemas de limitação de armas estratégicas ofensivas", disse Medvedev. O chefe do Kremlin acrescentou que, nesta agenda, a Rússia e os Estados Unidos têm "todas as possibilidades de adotar decisões importantes e necessárias".

 

A primeira visita de Obama ao país estará focada sobretudo nas questões militares e nucleares. A agenda desta segunda-feira está reservada quase exclusivamente para as negociações e acordos informais com Medvedev. A assinatura da declaração sobre a substituição do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês) - cujo prazo de validade termina em dezembro - deve ser considerada um dos principais resultados do encontro entre Obama e Medvedev.

 

Nesta noite, Obama e sua mulher, Michelle, jantarão com Medvedev e sua mulher, Svetlana. Na terça-feira, Obama tomará café da manhã com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e mais tarde se reunirá com o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachov.

 

Por enquanto, o maior empecilho parece estar no escudo de defesa antimísseis que os EUA querem instalar no Leste Europeu e a Rússia considera uma ameaça. Durante o encontro, os presidentes ainda discutirão sobre o programa nuclear da Coreia do Norte e a situação no Irã e Paquistão. Em um sinal do esforço para fortalecer as relações, a Rússia já indicou que deve autorizar os EUA a passar por seu território para transportar armas com destino ao Afeganistão.

 

A Casa Branca não se mostra disposta a abrir mão de seus planos de instalar sistemas de defesa antimísseis no Leste Europeu - considerado pela Rússia uma ameaça, apesar de os EUA argumentarem que o objetivo é a defesa contra o Irã e a Coreia do Norte. Washington também não vai barrar a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na direção de países que a Rússia considera sua esfera de influência. Esses dois tópicos são as maiores prioridades da Rússia. Se Medvedev resolver condicionar o desarmamento nuclear ao abandono dos planos do escudo antimíssil, pode não sair acordo nenhum.

 

Desarmamento nuclear

 

Representantes diplomáticos da Rússia e dos EUA fecharam acordo sobre o texto de uma declaração a ser assinada pelos presidentes de ambos os países e que servirá de arcabouço para a substituição de um importante tratado de desarmamento do período da Guerra Fria.

 

Em linhas gerais, a Casa Branca e o Kremlin concordam em reduzir o número de ogivas nucleares. Há também uma urgência em se chegar a pelo menos um esboço de acordo para substituir o Start I - tratado de desarmamento assinado em 1991 que expira no final deste ano. Esse esboço deve ser o primeiro passo para negociações mais ambiciosas.

 

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