AP
AP

Obama faz apelo religioso e encontra jovens na Turquia

Presidente se encontra com líderes religiosos e pede que jovens coloquem pontes entre Islã e Ocidente

Agências internacionais,

07 de abril de 2009 | 08h56

O presidente dos EUA, Barack Obama, encontrou-se nesta terça-feira, 7, com líderes religiosos em Istambul, como parte de um esforço para unir moderados das grandes religiões contra o extremismo.  Um dia depois de declarar em discurso que os Estados Unidos não estão em guerra contra o Islã, Obama conversou com o principal dirigente islâmico de Istambul, com o rabino-chefe da cidade e com representantes de igrejas cristãs ortodoxas. Acompanhado pelo primeiro- ministro Tayyip Erdogan e pelo mufti Mustafa Cagrici, ele também visitou a Mesquita Azul, considerada a mais importante da Turquia.

A Turquia é a última etapa da primeira viagem transcontinental do presidente norte-americano, que tenta melhorar a imagem externa do seu país e reconstruir os laços com os muçulmanos, depois do abalo provocado pelas guerras no Iraque e Afeganistão. "Deixem-me dizer isso o mais claramente possível: os Estados Unidos não estão e nunca estarão em guerra contra o Islã", afirmou ele em discurso no Parlamento turco, mas dirigindo-se ao mundo islâmico como um todo.

A Turquia é um país majoritariamente islâmico, mas com governo secular e ligado à Otan (aliança militar ocidental), além de ser candidata a uma vaga na União Europeia. Como parte da sua nova estratégia de se envolver com jovens do mundo todo, Obama fez uma reunião com eles num centro cultural de Istambul, a exemplo do que já fizera na semana passada em Estrasburgo, na França.  "Encontrar os jovens simboliza a expectativa de esperança e mudança (os dois motes eleitorais de Obama), porque o governo anterior (de George W. Bush) tinha um problema com a sua imagem no mundo islâmico", disse o estudante de relações internacionais Salih Altundere, 23 anos.

"A Turquia tem uma posição especial no mundo islâmico. Este governo é religioso, mas ainda democrático", disse ele, enquanto Obama entrava no auditório. Obama fe ainda uma chamada aos jovens para que coloquem pontes entre o Islã e o Ocidente. "Não podemos nos estabilizar somente em nossas diferenças", disse o presidente americano, afirmando que é necessário que as duas partes ouçam "mutuamente, com cuidado", e encontrem um terreno comum.

 

A visita de dois dias ao país é um aceno ao poderio econômico e diplomático da Turquia, que poderia ajudar os EUA em temas como Irã e Afeganistão. A Turquia é uma importante aliada de Washington, e também tem relações estreitas com Israel, Irã, Iraque e Síria, além de servir como rota de trânsito para tropas e equipamentos militares dos EUA no seu caminho para Iraque e Afeganistão.

Ao contrário de Bush, Obama vem buscando uma reaproximação com inimigos como Irã e Síria. Durante a campanha eleitoral, ele prometeu manter contatos diretos com governos adversários de Washington, e já houve contatos de médio escalão do seu governo com representantes do Irã numa recente conferência sobre o Afeganistão.

 

No discurso diante dos jovens, o presidente americano também falou do conflito israelense-palestino, e destacou que acredita que "a paz no Oriente Médio é possível, baseada em dois Estados vizinhos". Para conseguir isso, ressaltou, são necessárias "a vontade e a coragem políticas" e que ambas as partes "façam compromissos", disse o presidente americano, segundo o qual manter a situação atual "é insustentável".

 

Obama também reiterou sua chamada a favor da entrada da Turquia na União Europeia (UE), ao afirmar que essa medida enviaria "um firme sinal de que a Europa não é monolítica, mas diversa". O presidente americano, que já se tinha pronunciado neste sentido na cúpula entre EUA e União Europeia no domingo, em Praga, e na segunda-feira, em discurso perante o Parlamento turco em Ancara, disse que "Turquia deveria estar na União Europeia". "Se a Turquia pode estar na Otan, suas tropas podem participar de suas missões e seus soldados podem arriscar a vida para proteger os aliados, por que não pode vender seus abricós à Europa ou desfrutar de liberdade de viajar pela Europa?", perguntou.

 

Depois do encontro com os jovens, o presidente dos Estados Unidos iniciou a viagem de volta a Washington de Istambul, a última etapa de uma viagem pela Europa de oito dias na qual visitou cinco países.

Tudo o que sabemos sobre:
Barack ObamaEUATurquia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.