Obama oferece ajuda às vítimas na Itália; mortos chegam a 235

Berlusconi diz que EUA podem auxiliar a reconstruir patrimônio cultural; trabalhos de resgate seguem intensos

Agências internacionais,

07 de abril de 2009 | 17h24

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ligou nesta terça-feira, 7, ao primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, para expressar suas condolências e oferecer a ajuda americana, após o terremoto registrado em Abruzzo, no centro da Itália, que já deixou pelo menos 235 mortos, segundo a apuração oficial feita pela Defesa Civil na cidade italiana de Áquila, uma das mais afetadas pelo sismo.

 

 

Veja também:

linkNão há vítimas brasileiras na Itália, diz Itamaraty

linkAutoridades ignoraram alerta de terremoto na Itália

linkPerda de patrimônio cultural amplia catástrofe em Áquila 

email Está na Itália? Envie seu relato

lista Brasileiros contam como enfrentaram o tremor

lista Cronologia: Piores tremores dos últimos anos

especialEntenda como acontecem os terremotos

mais imagens Fotos: Veja as imagens

video TV Estadão: Vídeo mostra a destruição em Áquila

 

Em comunicado, a Casa Branca informou que Obama expressou a Berlusconi "suas mais profundas condolências e as do povo americano" para os familiares das vítimas e aos feridos no tremor. Os Estados Unidos, afirmou o presidente, "estão dispostos a ajudar o povo italiano neste momento de necessidade". Até agora, foram contabilizados 1,5 mil feridos - 100 com gravidade - e 17 mil deslocados.

 

Nesta tarde, outro tremor atingiu as zonas já devastadas pelo terremoto na madrugada de segunda-feira, obrigando bombeiros e vizinhos a fugir de edifícios danificados. Blocos caíram dos prédios e o tremor foi sentido inclusive em Roma. A imprensa italiana chegou a falar que uma mulher morreu no episódio, mas a informação foi negada pelos bombeiros.

 

Os trabalhos de remoção de escombros seguem em seu segundo dia. Nesta terça, as equipes de resgate encontraram os cadáveres dos quatro jovens que haviam desaparecido em uma residência estudantil da cidade. "Estão mortos os quatro estudantes sob os escombros da Casa do Estudante. É uma tragédia", confirmou o reitor da Universidade de L'Aquila, Ferdinando di Orio.

 

O caso destes quatro jovens é um dos que mais chamou a atenção da Itália, que assiste consternada à tragédia enfrentada pelo país desde segunda, após o terremoto, de 5,8 graus na escala Richter, segundo o Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) da Itália, que assolou a região de Abruzzo, a mais de 100 quilômetros de Roma.

 

 

Enquanto parte dos moradores de Áquila afirma que a tragédia poderia ter sido evitada - porque nos últimos meses diversos tremores foram registrados -, a Procuradoria da cidade italiana abriu uma investigação para estudar possíveis responsabilidades pelos desmoronamentos dos edifícios após o terremoto.

 

IMPOSTOS SUSPENSOS

 

Para ajudar os desabrigados pela tragédia, o diretor da Agência Tributária italiana, Attilio Befera, anunciou nesta terça em declarações à emissora "Radio 1" que foram suspensas as cobranças de impostos locais e nacionais para os municípios atingidos. Enquanto isso, a Defesa Civil avisa aos moradores que desconsiderem uma série de mensagens enviadas por telefone celular alertando sobre um suposto novo terremoto que aconteceria em breve, o que provocou cenas de pânico e obrigou-a a desmentir o trote através dos meios de comunicação.

 

Berlusconi visitava os desabrigados na cidade de San Demetrio, vizinha a Áquila, quando recebeu a ligação de Obama. O primeiro-ministro disse aos jornalistas ter dito ao americano que "se os Estados Unidos querem dar um sinal clara de sua proximidade com a Itália podem assumir a responsabilidade pela reconstrução dos bens culturais e da igreja". Perguntado pelos jornalistas sobre a resposta de Obama, Berlusconi afirmou que o presidente americano considerou-a "uma ótima ideia da qual falaremos" quando o primeiro-ministro da Itália for a Washington.

 

Berlusconi misturou-se entre as pessoas de San Demetrio, apertando mãos, afagando crianças que - no meio da tragédia - gritavam: "Avante, Milan!", ao que ele respondia: "Valente!, mas diga à tua mãe que te leve ao mar, que ali há hotéis". O premiê insistiu às pessoas para irem à costa: "É Páscoa, fiquem tranquilos, nós fazemos o inventário das casas danificadas, e após alguns dias, pagamos."

 

PÂNICO

Ao cair da segunda noite desde o desastre, milhares de desabrigados buscam abrigo nas "vilas" de barracas azuis montadas pelas autoridades. Berlusconi, que declarou estado de emergência nacional e despachou tropas para a área, prometeu montar mais 20 acampamentos e 16 cozinhas de campanha para acomodar 14 mil pessoas. 

 

Como muitas igrejas também foram destruídas, as festividades da Páscoa devem ocorrer em capelas improvisadas nos acampamentos. Os tremores secundários provocaram pânico, e muita gente saiu correndo das barracas, aos gritos.

 

Centenas de pessoas, muitas delas voluntariamente, usam escavadeiras ou as próprias mãos para remover os escombros. As equipes de resgate comemoraram a retirada com vida de uma moça de 20 anos, que passou 42 horas sob os destroços de um prédio de quatro andares. Ao longo do dia, porém, o número de mortos subiu constantemente.

"Mesmo aqui, onde a gente sabe que nada pode acontecer, a gente ainda sente medo. O medo do som, da terra se mexendo, isso faz a gente se sentir muito pequeno", disse Ilaria Ciani, de 35 anos. "Nas últimas duas noites, devo ter dormido no máximo umas três horas."

 

(Matéria atualizada às 19h15)

Tudo o que sabemos sobre:
Itáliaterremoto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.