Objetivo de ação da ETA era matar, diz secretário espanhol

Ao contrário de atentados anteriores, explosão feriu gravemente guarda-costas de político ligado ao PSE

Agências internacionais,

09 de outubro de 2007 | 17h30

Desde que a polícia prendeu toda a liderança do braço político do grupo separatista basco ETA (Pátria Basca e Liberdade), na semana passada, o governo espanhol sabia que cedo ou tarde a vingança viria.  Carro-bomba deixa pelo menos um ferido na Espanha Nesta terça-feira, 9, os nacionalistas parecem ter mostrado que responderão com brutalidade à decisão do governo de José Luis Rodriguez Zapatero, medida que classificaram como uma "declaração de guerra". A explosão de um carro-bomba deixou o segurança de um dirigente do Partido Socialista Espanhol (PSE), o mesmo do premiê, gravemente ferido na cidade basca de Bilbao, no norte da Espanha.  De acordo com o secretário de Estado de Segurança espanhol, Antonio Camacho, o objetivo da ação era claro: "Comprometer a vida de uma pessoa", explicou ele, segundo o site do jornal El País. O que não se sabe ainda, no entanto, é se essa pessoa era o guarda-costas ou o político.  Para o secretário geral do PSE, Patxi López, há evidências de que o alvo do ataque poderia ser o membro do seu partido: "Os últimos dados apontam que a bomba estava na parte traseira direita do veículo, que é onde sempre se senta" o político, disse López ao El País. O atentado foi o mais graves dos três ataques perpetrados desde que a ETA anunciou o fim de um cessar-fogo estabelecido no ano passado. O mais recente havia sido no dia 25 de setembro, quando uma bomba explodiu numa delegacia de polícia da cidade de Zarautz. O saldo da ação foram apenas danos materiais. Tensões Embora as tensões tenham escalado nos últimos meses, a situação ficou dramática na semana passada, quando autoridades prenderam 23 membros do comitê executivo do Batasuna, o braço político da ETA, banido da política espanhola.  Foi uma mudança brusca de tática: o governo vinha concedendo liberdade aos líderes do Batasuna até um atentado contra o aeroporto de Madrid em dezembro, e o conseqüente colapso das negociações de paz, meses depois.  Já a prisão de membros do Batasuna na semana passada foi considerada uma "declaração de guerra" pelos líderes da ETA.  E, de fato, a resposta do grupo separatista à ação veio em termos diferentes dos últimos atentados perpetrados pelo grupo - estes quase sempre executados em locais pouco populosos ou mesmo anunciados com antecedência, para evitar mortes.  Ação brutal Nesta terça-feira, no entanto, a ação foi brutal. A bomba, posicionada dentro do carro do dirigente do PSE, explodiu com o carro em movimento, quando o guarda-costas do político manobrava o veículo.  O resultado: Gabriel Gines, de 36 anos, está internado em estado grave, com queimaduras nos braços, rosto e outros ferimentos.

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