Observadores da União Européia iniciam missão na Geórgia

Apesar de ameaça, soldados russos permitem a entrada de monitores europeus na zona de segurança separatista

Agências internacionais,

01 de outubro de 2008 | 08h23

A União Européia (UE) começou nesta quarta-feira, 1, a posicionar 200 observadores civis em diversas regiões da Geórgia apesar das ameaças do Exército russo de que não seria permitida a entrada dos representantes nas zonas de segurança que cercam as províncias separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul. O grupo de 200 monitores desarmados irão fiscalizar a retirada das tropas de Moscou da região, prevista no acordo de cessar-fogo entre Rússia e Geórgia.  Veja também:Especial: Depois da Guerra Fria   Depois da incursão russa na Geórgia no mês de agosto, Moscou estabeleceu uma zona de segunda ao redor da Ossétia, província georgiana cuja independência foi reconhecida pelo Kremlin. Os observadores da UE querem entrar na região para checar se a retirada das tropas russas, combinada no acordo de cessar-fogo mediado pela França, está sendo cumprido. Porém, o Exército russo afirmou na terça que um acordo técnico para o acesso ainda não foi finalizado. Um oficial da UE afirmou ao The New York Times que os monitores conseguiram entrar em vários pontos de checagem russos ao longo da zona de segurança. Pelos termos do acordo firmado entre os dois países e mediado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, a retirada deve ser feita até o dia 10 de outubro, o que significa que os soldados russos devem deixar as zonas de segurança dentro de dez dias. Segundo a Associated Press, quando um grupo de observadores europeus se aproximou do vilarejo de Kvenatkotsa, no perímetro da zona de segurança, soldados russos rapidamente os autorizaram a entrar na área. Os repórteres não puderam acompanhar o grupo, mas civis georgianos passaram pelo posto de checagem sem problemas depois de terem os carros revistados. O líder da missão européia Hansjoerg Haber disse aos repórteres que o Exército russo afirmou antes que não permitira a entrada na zona de segurança por questões de segurança.  O acesso dos observadores a todas as áreas será um verdadeiro teste para avaliar o compromisso da Rússia com o acordo de cessar-fogo assinado em agosto. O chefe de política internacional da União Européia, Javier Solana, afirmou que as mensagens vindas de Moscou são contraditórias, mas se disse otimista de que o início da missão dos observadores irá seguir conforme o acordo. "Estou otimista de que as duas partes irão cumprir, assim como nós fizemos, com os termos do acordo", disse.  A retirada das tropas russas é um dos principais pontos do acordo de cessar-fogo mediado pela França. No entanto, a Rússia pretende manter um contingente de cerca de 8 mil soldados na Abkházia e na Ossétia do Sul - províncias que Moscou reconheceu como Estados independentes. Os líderes ocidentais condenaram tanto o controle das áreas de segurança quanto o reconhecimento pelos russos da independência das regiões separatistas da Geórgia. O conflito na região começou no dia 7 de agosto, quando a Geórgia tentou retomar o controle sobre a Ossétia do Sul à força depois de uma série de conflitos menores. A Rússia invadiu a região lançando um contra-ataque e expulsando as tropas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia. O porta-voz do ministro da Defesa russo, Nikolai Uvarov, disse que a Rússia removeu alguns postos de controle na área portuária de Poti, na costa do Mar Negro. Com essa remoção, os russos continuam com nove postos ao redor da Ossétia do Sul e três próximos da Abkházia, de acordo com a agência de notícias russa Ria Novosti.

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