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Observadores europeus dizem que eleição russa 'não foi justa'

Representantes denunciam influência e abuso no uso de recursos do Putin e seu gabinete para vencer pleito

Agências internacionais,

03 de dezembro de 2007 | 08h38

O presidente da Assembléia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Goran Lennmarker, afirmou nesta segunda-feira, 3, que as eleições legislativas na Rússia não corresponderam aos critérios de limpeza do grupo e falharam em sua tentativa de democracia. Ele disse ainda que o pleito em que o partido do presidente Vladimir Putin conquistou a maioria no Parlamento "não foi justo".   Veja também: Entenda as eleições parlamentares na Rússia   "Antes de tudo, quero dizer que estas eleições não corresponderam a muitos dos critérios que temos na Europa", disse Lennmarker, que liderou a delegação de observadores da OSCE, em entrevista coletiva.   Luc van den Brande, que liderou a delegação que acompanhou as eleições parlamentares no país, afirmou que a votação mais pareceu um referendo sobre o governo de Putin do que uma eleição. Ele citou a "influencia do presidente e seu gabinete na campanha" e disse que "certamente houve abuso de recursos da administração" para influencias o eleitorado.   Segundo o porta-voz da Organização do Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o secretário geral Jaap de Hoop Scheffer também manifestou preocupação em relação ao pleito.   Segundo a BBC, com mais de 80% dos votos apurados, os resultados oficiais preliminares indicam que o partido do presidente Vladimir Putin, o Rússia Unida, venceu as eleições parlamentares russas com 63% dos votos.   O Partido Comunista, de oposição, conseguiu garantir os votos necessários para ingressar na Duma, a câmara baixa do Parlamento russo. Outras duas siglas - o Rússia Justa e o Partido Liberal Democrata - aliadas de Putin, também asseguraram a entrada na Duma, que exige um mínimo de 7% dos votos. Os comunistas afirmaram que vão contestar o resultado das eleições e decidir, em reunião nesta segunda-feira, se vão boicotar o novo parlamento.   "Não confiamos nos resultados anunciados pela comissão eleitoral e vamos conduzir uma contagem paralela", afirmou o líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov. Zyuganov já havia comentado que as eleições deste domingo foram as menos democráticas realizadas no país desde o fim da União Soviética.   Em Washington, um porta-voz da Casa Branca disse que as autoridades russas deveriam investigar as alegações de fraude. Segundo partidos da oposição e de organizações internacionais, jovens foram levados de ônibus a vários postos eleitorais para votar mais de uma vez, numa tática conhecida como "carrossel". Partidários de Putin também foram acusados de prometer prêmios e presentes para quem votasse no Rússia Unida. A única organização de observação independente da Rússia, a Golos, disse que a fraude foi sistemática.   O diretor da comissão eleitoral da Rússia, Vladimir Churov, disse que não houve irregularidades na votação. O líder do Rússia Unida, Boris Gryzlov, admitiu que houve algumas irregularidades, mas disse que elas não devem influenciar o resultado.   O principal líder da oposição, o ex-campeão de xadrez Garry Kasparov, também não poupou críticas. "Eles não estão apenas fraudando a votação, eles estão violentando todo o sistema eleitoral", acusou o oposicionista, que fez questão de mostrar sua cédula de votação totalmente rasurada.   O Kremlin, no entanto, comemorou os resultados, considerados uma vitória pessoal para Putin - que terá de deixar a presidência no ano que vem, uma vez que a Constituição não permite o terceiro mandato. Numa possível manobra política, Putin, que deve ser nomeado primeiro-ministro, poderia voltar ao cargo se o novo presidente, que será eleito em março de 2008, renunciar.   Putin deve deixar a Presidência em março, mas ele tem indicado que pretende manter uma presença forte na vida política russa. O presidente já havia comentado, no início deste ano, que poderia tentar se candidatar a primeiro ministro depois do fim do mandato.

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