Observadores ocidentais criticam eleição presidencial russa

Representantes europeus dizem que pleito não foi justo, mas que reflete amplamente a vontade popular

Reuters,

03 de março de 2008 | 07h24

Observadores ocidentais criticaram nesta segunda-feira, 3, as eleições presidenciais realizadas no fim de semana na Rússia, afirmando que elas não foram totalmente justas nem democráticas. "Os resultados das eleições presidenciais (...) foram um reflexo da vontade de um eleitorado cujo potencial democrático infelizmente não foi preenchido", disse Andreas Gross, chefe do grupo de monitoramento da Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa (PACE, na sigla em inglês). Eles afirmaram, no entanto, que o resultado refletiu amplamente a vontade popular.   Veja também:   Medvedev: um presidente à sombra de Putin   Com 99,45% dos votos apurados, o candidato escolhido pelo presidente Vladimir Putin, Dmitry Medvedev, venceu o pleito com 70,23% dos votos no domingo, 2. Conforme anunciado pelo próprio Putin, cuja popularidade supera 70%, Medvedev o nomeará primeiro-ministro, função que se deslocará para o centro do poder na Rússia. Eleito em 2000 e reeleito em 2004, Putin não podia mais, pela lei, candidatar-se a presidente.   Gross acrescentou que as falhas vistas nas eleições parlamentares russas de dezembro se repetiram. "O acesso igualitário dos candidatos à mídia não melhorou", disse. Os Observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) se recusaram a monitorar a eleição russa de domingo, alegando falta de cooperação oficial. Os liberais classificaram a eleição como uma farsa, e afirmaram que elas foram manipuladas pelo Kremlin nos bastidores.   Às 23h em Moscou (17h em Brasília), Putin e Medvedev subiram ao palco do concerto que se realizava na Praça Vermelha para celebrar a vitória. "Seguiremos o rumo estabelecido pelo presidente Putin", disse Medvedev, repetindo o mote de sua campanha: "Juntos, venceremos." Putin agradeceu a todos os que compareceram às urnas e interpretou: "Significa que vivemos numa sociedade democrática, com a participação da sociedade civil", numa aparente resposta às críticas de que o Kremlin suprimiu essa participação.   Apesar da previsibilidade do resultado, chamou a atenção a votação obtida pelo candidato comunista, Gennady Zyuganov, que teve 17,91% dos votos, e pelo ultranacionalista Vladimir Jirinovski, que recebeu 9,49%. "Este é obviamente um voto de protesto", disse no domingo à noite Alexei Levinson, do instituto de pesquisas independente Levada Center. "Essa é uma mudança importante na política russa. O Partido Comunista não pode ser mais considerado uma força obsoleta." O liberal Andrei Bogdanov ficou com 1,27%.   Os candidatos de oposição, no entanto, não ficaram satisfeitos. Assim que a contagem de votos começou, Zyuganov e Jirinovski anunciaram que entrariam com ações na Justiça denunciando fraude nas eleições. "Nunca vimos esse tipo de atrevimento antes, tanta cédula sendo enfiada nas urnas", disse o secretário do Comitê Central do Partido Comunista, Valery Rashkin. Segundo ele, houve irregularidades em várias cidades. Muitos funcionários públicos disseram ter sido pressionados por seus chefes a votar em Medvedev.   Boom na economia   A maioria dos russos deseja a continuidade das políticas de Putin, que resultaram num crescimento médio de 6,7% desde 2000 e numa queda contínua do desemprego, que chegou a 5,8% em janeiro. A fatia dos russos abaixo da linha da pobreza diminuiu de 30% para 10%, alimentando um boom na economia que, segundo os especialistas, já não é mais impulsionado apenas pelo alto preço do petróleo, do qual a Rússia é grande produtora e exportadora, mas pela demanda interna e pelos investimentos em bens de capital, que aumentaram 21% em 2007. Talvez ainda mais importante, Putin tem mantido o país estável, depois do caos dos anos 90.   (com Lourival Sant'Anna, de O Estado de S. Paulo)

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