EFE/EPA/VICKIE FLORES
EFE/EPA/VICKIE FLORES

Ômicron: Reino Unido tem alta de casos, e Europa amplia restrições para conter variante

É apenas a quarta vez que os britânicos registram mais de 80 mil casos desde o começo da pandemia; na Europa, previsão é a de que Ômicron ultrapasse a Delta na próxima semana

Redação, O Estado de S. Paulo

19 de dezembro de 2021 | 10h04
Atualizado 19 de dezembro de 2021 | 16h24

O Reino Unido registrou 82.886 novos casos de covid no domingo, um salto de 72% em relação às 48.071 novas infecções registradas no último domingo - e a quarta vez em que o país tem mais de 80 mil casos registrados desde o começo da pandemia. 

Outras 45 pessoas morreram por motivos relacionados à covid, ante 111 na sexta-feira. Os números de domingo são ligeiramente mais baixos do que as taxas de casos diários recordes recentes - estavam acima de 90.000 na quinta-feira. Os números reportados tendem a ser menores nos fins de semana.

No Reino Unido, os casos diários confirmados dispararam para números recordes nesta última semana. O governo impôs uma nova exigência para o uso de máscaras em ambientes fechados e ordenou que as pessoas apresentassem prova de vacinação ou um recente teste de coronavírus negativo para entrarem em boates e grandes eventos. 

Cientistas estão alertando o governo britânico da possibilidade dos hospitais ficarem lotados. O Reino Unido e outras nações estão acelerando o ritmo das doses de reforço depois que dados preliminares — de pesquisas não revisadas por pares — mostraram que duas doses da vacina foram menos eficazes contra a variante Ômicron. Shopping centers, catedrais e estádios de futebol no país foram convertidos em centros de vacinação em massa.

Isso ocorre depois que o Reino Unido relatou 12.133 novos casos da variante Omicron altamente transmissível, totalizando 37.101.

O Grupo de Aconselhamento Científico para Emergências (SAGE) do governo disse ser "quase certo" que centenas de milhares de pessoas estão sendo infectadas com a variante todos os dias e não foram detectadas nos números.

A SAGE disse que, sem um maior endurecimento das regras de combate à covid-19, "a modelagem indica um pico de pelo menos 3.000 internações hospitalares por dia na Inglaterra", disseram em uma reunião em 16 de dezembro.

Em janeiro passado, antes que a campanha de vacinação ganhasse velocidade, as internações hospitalares diárias no Reino Unido como um todo ultrapassavam 4.000.

Europa em alerta por causa de Ômicron

A Holanda entrou em um novo lockdown a partir deste domingo, 19, com o objetivo de tentar conter o aumento de casos da variante Ômicron. A decisão acompanha diversas medidas e restrições dos países europeus frente ao aumento de casos impulsionado pela nova variante. 

O anúncio foi feito no sábado, 18, pelo primeiro-ministro Mark Rutte. Todas as lojas, restaurantes, bares, cinemas, museus, teatros e outros serviços não essenciais devem fechar até 14 de janeiro. As faculdades e escolas poderão ser reabertas em 9 de janeiro, disse Rutte. 

Em meio ao período de festas de fim de ano, o país também limitou o número de pessoas que podem ir como hóspedes a uma casa, que caiu de quatro para duas, exceto no dia de Natal e Ano-novo. As regras fizeram com que longas filas se formassem nas lojas na manhã de sábado, quando as pessoas correram para fazer suas compras de Natal. 

Jaap van Dissel, chefe da equipe holandesa de gerenciamento da pandemia, reforçou a previsão de outros países europeus de que a Ômicron deverá ultrapassar a Delta e ser dominante no final do ano. Outras nações estão impondo novamente medidas restritivas para conter a nova onda de infecções por Covid-19

Ministros na França, Chipre e Áustria aumentaram as restrições a viagens. Paris cancelou os fogos de artifício da véspera de Ano-Novo. A Dinamarca fechou teatros, salas de concerto, parques de diversões e museus. A Irlanda impôs um toque de recolher às 20 horas em pubs e bares, além da participação limitada em eventos internos e externos. 

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, ressaltou a preocupação com o aumento de casos e o potencial de sobrecarregar o sistema de saúde. No sábado, foi implementada uma medida que permite que os conselhos locais na capital britânica possam coordenar os trabalhos de forma mais próxima com os serviços de emergência, decisão tomada após sexta-feira, quando foi registrado o maior aumento de infecções em 24 horas desde o início da pandemia. A Ômicron é agora a variante dominante do coronavírus em Londres e os esforços foram intensificados para  alcançar as pessoas que ainda não foram vacinadas.

Na Irlanda, o primeiro-ministro, Micheal Martin, disse, em discurso na sexta-feira, que as novas restrições são necessárias para proteger vidas. “Estamos todos exaustos com a Covid-19 e as restrições que ela exige. As voltas e reviravoltas, as decepções e as frustrações afetam muito a todos. Mas é com a realidade que estamos lidando”. 

Na França, o governo anunciou que começará a vacinar crianças de 5 a 11 anos a partir desta quarta-feira. O primeiro-ministro Jean Castex disse, na sexta-feira, que com a variante Ômicron se espalhando como "um raio", o governo propôs exigir uma prova de vacinação para quem entra em restaurantes, cafés e outros estabelecimentos públicos. A medida pendente requer aprovação parlamentar.

As medidas não agradam todos os europeus. Críticos das últimas restrições fizeram protestos em Londres, Paris, Hamburgo, Berlim, Dusseldorf, e outras cidades alemãs e austríacas. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou, em resumo técnico publicado no último dia 17, que a variante Ômicron já foi detectada em 89 países. Os casos de Covid-19 da nova variante estão dobrando a cada 1,5 a 3 dias em locais com transmissão local na comunidade. Segundo o documento, as principais questões sobre a nova cepa permanecem sem resposta, incluindo a gravidade da doença provocada por ela e se as vacinas contra a Covid-19 existentes conferem proteção. A vantagem significativa de crescimento da Ômicron sobre a Delta faz com que seja provável que a nova variante supere a Delta em países com transmissão local, alertou a OMS./ Com informações de Associated Press e AFP.  

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.