OMM alerta que não é possível prever duração da nuvem de cinzas

Previsão de quanto tempo durará o fenômeno só poderá ser feita após fim da erupção

Efe

16 de abril de 2010 | 10h41

 

GENEBRA - A Organização Mundial de Meteorologia (OMM) afirmou nesta sexta-feira, 16, que é "impossível" prever a duração e o comportamento da nuvem de cinzas que cruza a Europa e quanto tempo vai durar a erupção do vulcão islandês que as provocou.

 

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"Poderemos prever a duração do fenômeno só depois do fim da erupção", disse em entrevista coletiva Scylla Sillayo, especialista em meteorologia aeronáutica da OMM. "Enquanto durar a erupção do vulcão, não poderemos saber quanto tempo ficará interrompido o tráfego aéreo", disse.

 

O analista indicou que um dos elementos mais importantes é saber a direção do vento para prever o destino e a rapidez das nuvens de cinzas. Com relação aos efeitos climáticos, o analista disse que serão mínimos, no máximo um esfriamento pelo fato da nuvem de cinzas bloquearem os raios do sol.

 

A atividade vulcânica do Eyjafjallajoekull, que começou na quarta, não dá sinais de que possa diminuir, e especialistas dizem a nuvem pode continuar a ser expelida por semanas. O Centro de Alertas Vulcânicos de Londres informou durante a tarde que as erupções "continuavam significativamente" e expeliam "episódicos" volumes de cinzas. Embora as quantidades de poeira não sejam conhecidas, a entidade afirmou que é difícil que as cinzas cheguem à altura de 35 mil pés, altitude padrão de voo para a maioria das aeronaves.

 

Ventos

 

Especialistas em meteorologia afirmam que os ventos desempenham um papel fundamental no deslocamento das nuvens, segundo a agência de notícias CNN. "As cinzas vulcânicas são transportadas primariamente pelos ventos superiores. Uma vez que elas são lançadas na atmosfera, são os ventos e a gravidade que agem sobre seu deslocamento", disse Brandon Miller.

 

Embora os ventos estivessem empurrando as cinzas em direção ao restante do continente, a ocorrência de uma tempestade poderia fazer com que a nuvem não se espalhe mais, segundo Patrick Murphy, do Centro Nacional de Meteorologia da Aviação dos EUA.

 

"Se houver uma paralisação dos ventos, a poeira vai parar de se mover, mas também haverá uma concentração maior de cinzas", continuou. Nesse caso a visibilidade ficaria extremamente prejudicada.

 

Miller, porém, disse que a dispersão das cinzas faz com que a visibilidade aumente e as viagens fiquem menos perigosas. O problema, no entanto, está na regularidade com que o Eyjafjallajoekull expele cinzas. "O problema é que o vulcão ainda está e erupção, e as cinzas continuarão a ser movidas pelos ventos", concluiu.

 

Cancelamentos 

 

A Eurocontrol acompanha a evolução da nuvem que sai do centro do vulcão, que por enquanto segue para leste. Segundo a agência, o número de voos cancelados já chegou aos 17 mil e a quantidade de passageiros afetados desde que o tráfego aéreo passou a ser prejudicado, na manhã da quinta-feira, é superior a 1,3 milhão.

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) também emitiu um comunicado dizendo que avalia os riscos que a nuvem de poeira pode ter na saúde dos europeus. Segundo a entidade, as cinzas ainda estão muito altas na atmosfera, mas devem causar problemas respiratórios quando se aproximarem da superfície.

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