Onda de imigrantes do leste europeu eleva população alemã

O fim das restrições alemãs aos trabalhadores do leste europeu em maio provocou uma onda de imigração daqueles países, como a Polônia, o que pode conduzir ao primeiro aumento populacional anual na Alemanha em nove anos, mostraram números oficiais.

NOAH BARKIN, REUTERS

13 de janeiro de 2012 | 12h53

A Agência Federal de Estatísticas estimou nesta sexta-feira que a população alemã aumentou em 2011 pela primeira vez desde 2002, apesar de estimativas de que as mortes deveriam exceder os nascimentos em até 185 mil.

O que compensou isso foi um forte aumento na imigração, que segundo as estimativas subiu para 240 mil pessoas no ano passado, quase o dobro dos 128 mil em 2010 e o maior número desde 2001.

"O principal motor dessa tendência de imigração positiva é o aumento do número de pessoas vindas dos países que se uniram à União Europeia em 2004, principalmente a Polônia", disse a agência.

Para proteger seus mercados de trabalho, tanto a Alemanha quanto a Áustria obtiveram uma isenção de sete anos às regras da UE que permitem a livre movimentação de trabalhadores de ex-países comunistas que entraram no bloco em 2004, incluindo Polônia, República Tcheca e Hungria.

A isenção expirou em 1o. de maio do ano passado. Desde então, uma média de 28 mil cidadãos dos países recém-integrados à UE se mudou para a Alemanha por mês, em comparação a apenas 15 mil nos primeiros quatro meses de 2011, quando as restrições continuavam em vigor.

A economia alemã conseguiu escapar praticamente incólume da crise da dívida, registrando um crescimento de 3 por cento ou mais por dois anos seguidos. Enquanto isso, o desemprego caiu para o nível registrado na pós-reunificação, de apenas 6,8 por cento, tornando a Alemanha um destino cada vez mais atraente para os cidadãos de outros países do bloco europeu.

Quando o mercado de trabalho da Alemanha foi aberto para o leste no ano passado, o governo polonês estimou que até 400 mil pessoas tentariam um emprego na Alemanha e na Áustria nos próximos três anos, bem menos do que o 1,5 milhão que já deixou o país, a maioria para a Grã-Bretanha e Irlanda, depois que a Polônia se uniu à UE em 2004.

Embora pequeno em comparação aos dados do leste europeu, números preliminares dos primeiros oito meses de 2011 também mostram um aumento acentuado no número de imigrantes de certos países da zona do euro que foram atingidos duramente pela crise de dívida soberana, inclusive a Grécia e a Espanha.

No período entre janeiro e agosto de 2011, os únicos meses para os quais os números estavam disponíveis, um total de 13.629 gregos se mudou para a Alemanha, em comparação a apenas 7.594 no mesmo período de 2010. A chegada de espanhóis no mesmo período foi de 15.523, em comparação a 12.361 no ano anterior.

A Espanha tem o índice de desemprego mais alto no bloco do euro, de mais de 21 por cento, enquanto a Grécia registrou um índice de 17,7 por cento no terceiro trimestre do ano passado, o mais alto já registrado no país e acima dos 12,4 por cento do ano anterior.

No geral, estima-se que a população alemã tenha aumentado para mais de 81,8 milhões nos ano passado. Seu pico pós-reunificação foi em 2002, quando totalizou mais de 82,5 milhões.

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