ONU acusa Sérvia de usar violência para reprimir Kosovo

Missão na região afirma que conivência do governo sérvio aos protestos da população não será tolerada

Agências internacionais,

20 de fevereiro de 2008 | 10h49

Forças de Paz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e policiais abriram entradas entra a Sérvia e o Norte de Kosovo para evitar novos protestos contra a criação do novo Estado. Segundo a Missão Interina das Nações Unidas para o Kosovo (Unmik), o governo sérvio descumpriu a sua promessa de não recorrer à violência ao aprovar os protestos realizados contra a criação do país.   Kosovo faz o mundo pisar em ovos  Entenda o que está em jogo em Kosovo Mapa: a disputa dos Bálcãs  Veja lista de países que reconhecem a independência do Kosovo    Servo-kosovares e sérvios vêm realizando desde domingo violentos protestos contra a separação do território. Prédios da ONU e da Otan foram atacados com granadas de mão em Mitrovica, as embaixadas da Eslovênia, dos EUA, do Canadá da Turquia e do Irã foram vandalizadas em Belgrado, e carros foram incendiados em várias cidades. Segundo comunicado do Ministério do Interior da Sérvia, 85 pessoas ficaram feridas nos distúrbios dos últimos dias.   A polícia kosovar informou em comunicado em Pristina que as duas passagens já podem ser usadas livremente e que forças especiais da Missão Interina da ONU no Kosovo (Unmik) foram enviadas para a região.   O chefe da Missão Interina da ONU, o alemão Joachim Rücker, denunciou nesta quarta-feira que a Sérvia violou seu compromisso de não usar a violência contra o Kosovo. "Isso foi claramente violência", afirmou Rücker, referindo-se aos ataques de um grupo de manifestantes sérvios na terça-feira contra dois postos fronteiriços entre Kosovo e Sérvia, que depois foi defendido pelo governo em Belgrado. "A violência não é em nenhum caso uma opção e não será tolerada no Kosovo", disse Rücker, lembrando que a Sérvia tinha prometido que não recorreria à violência após a independência do Kosovo.   Rücker acrescentou que "o Kosovo não está fechado. Outros pontos na fronteira não foram fechados". "Esperamos abri-los e voltar à normalidade", afirmou. Segundo a Unmik, os dois postos fronteiriços foram fechados na terça, mas serão reabertos o mais rápido possível. A Polícia kosovar substituirá as tropas da KFOR no local.   O ministro sérvio para o Kosovo, Slobodan Samardzic, afirmou na terça-feira à noite em Belgrado que os eventos ocorridos no Kosovo correspondem com a política de Belgrado em relação a Pristina.   O chefe da Força para o Kosovo (KFOR), Xavier Bout de Marnhac, criticou os líderes sérvios do norte de Mitrovica por ter envolvido menores em manifestações violentas perto da fronteira. "Os líderes sérvios deveriam pensar em sua responsabilidade quando provocam esse tipo de manifestação", afirmou o general francês em Pristina.   Leis aprovadas   O Parlamento do Kosovo aprovou nesta quarta-feira, em segunda leitura, as primeiras nove leis do plano Ahtisaari, que concede à ex-província uma soberania limitada, por enquanto. Uma das dez leis aprovadas na terça, sobre a criação de um Ministério de Exteriores, foi retirada para ser alterada.   A Assembléia kosovar deverá aprovar um total de 34 leis para cumprir o plano do ex-mediador internacional Martti Ahtisaari, apresentado no ano passado, mas rejeitado pela Sérvia. As leis adotadas incluem as da criação de um novo corpo policial, a emissão de passaportes e autogoverno em nível local e proteção da herança cultural das minorias.

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