ONU culpa falta de controle de armas nos EUA por mortes em Orlando

Alto Comissário para Direitos Humanos apelou para que as autoridades americanas "cumpram sua obrigação" de proteger seus cidadãos

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2016 | 06h52

GENEBRA – Diante das mortes em Orlando, a ONU critica a falta de controle da venda de armas nos EUA e alerta para o impacto negativo do lobby da indústria. "Esses ataques são um resultado direto do contrôle insuficiente de venda de armas", disse o Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, apelando para que as autoridades americanas "cumpram sua obrigação" de proteger seus cidadãos. 

A ONU ainda pede uma "atitude responsável" por parte de políticos, numa referência indireta às propostas de Donaldo Trump, candidato do Partido Republicano para as eleições nos EUA. "Os problemas são as armas, e não a origem das pessoas", insistiu Rupert Colville, porta-voz da ONU. 

Zeid ainda criticou aqueles que estão usando as mortes em Orlando para "promover homofobia e islamofobia". 

"É difícil encontrar uma justificativa racional que explique a facilidade com a qual pessoas podem comprar armas, seja qual for o histórico das pessoas, usuários de drogas, violência doméstica e doentes mentais ou contato direto com extremistas", disse.

"Quantos outros casos terão de ocorrer para que haja uma regulação robusta?", questionou o representante, mencionando dezenas de casos similares ao de Orlando. "Por que qualquer pessoa poderia comprar um rifle criado para matar muitas pessoas ?", questionou. 

Lobby.  Zeid também atacou o lobby dos fabricantes de armas nos EUA. "A propaganda irresponsável pró-armas sugere que as armas fazem uma sociedade ser mais segura, quando as evidências provam o contrário", alertou. "O acesso fácil às armas permite pouco espaço entre impulsos e ações que resultam em mortes. A viagem entre o ódio e crimes se acelera", disse Zeid. 

"A sociedade, e principalmente as comunidades mais vulneráveis, paga um preço alto", insistiu. "Exemplos de muitos países mostram de forma clara que um contrôle na compra de armas levou a uma redução dramática na violência", apontou a ONU. "Nos EUA, porém, existem centenas de milhões de armas em circulação e, a cada ano, milhares de pessoas são mortas ou feridas por elas". 

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