Philippe Wojazer/Reuters
Philippe Wojazer/Reuters

Oposição a Sarkozy lidera resultados parciais das eleições regionais da França

Partido Socialista têm 54% dos votos totais; 97% das urnas já foram apuradas

21 de março de 2010 | 17h11

Associated Press e Efe   

 

PARIS- Resultados parciais oficiais mostram que a oposição de esquerda francesa derrotou o partido do presidente Nicolas Sarkozy no segundo turno das eleições regionais deste domingo, 21.

 

Segundo o Ministério do Interior, o Partido Socialista e seus aliados têm 54% do total dos votos nacionais, enquanto o conservador UMP de Sarkozy e seus aliados contam com 35,3% dos votos, e a Frente Nacional, com 10% deles. De acordo com o Ministério, 97% dos votos já foram contados. 

 

Muitos eleitores estão frustrados com a gestão da crise econômica de Sarkozy.

 

No primeiro turno, com uma abstenção de 53,6%, os socialistas (29,5% dos votos) ficaram na frente da UMP de Sarkozy (26,3%) e poderão se apoiar nos ecologistas (12,5%) e na Frente de Esquerda dos comunistas (6,1%).

 

O Partido Socialista (PS) francês e os verdes da Europe Ecologie fizeram um acordo nacional para apresentar listas conjuntas em quase toda a França neste segundo turno.

 

O acordo, que conta com o apoio da Frente de Esquerda, exclui a região da Bretanha (oeste do país), onde o presidente socialista Jean-Yves Le Drian não aceitou negociar, já que acredita em conquistar sozinho o poder.

 

Os 44,2 milhões de franceses com direito a voto neste pleito, os últimos antes da grande reunião das presidenciais de 2012, deverão escolher os 1.880 conselheiros que administrarão as regiões durante os próximos 4 anos.

 

Os Conselhos Regionais são formados por assembleias nas quais se adotam decisões que afetam fundamentalmente o desenvolvimento econômico dos territórios e têm uma intervenção fundamental no planejamento e financiamento dos transportes públicos.

 

A maior parte de seu orçamento se destina a despesas de pessoal e infraestruturas educativas, aos transportes e à formação profissional e, embora sem competências tão amplas como as Comunidades Autônomas espanholas ou os "länder" alemães(estados federados), podem ser decisivos para o Governo central.

 

Crise econômica

 

O primeiro-ministro francês, François Fillon, culpou neste domingo a crise econômica, "que não nos facilitou a tarefa", pela derrota do partido conservador de Sarkozy nas eleições regionais.

 

Fillon, que reconheceu "o êxito dos partidos de esquerda", declarou nesta noite que os resultados que indicam um retrocesso da União pelo Movimento Popular (UMP) "são uma decepção para a maioria".

 

"Não soubemos convencer", opinou o premiê. "Assumo minha parte da responsabilidade", acrescentou Fillon, que tem índice de popularidade superior ao do próprio Sarkozy.

 

As eleições, para o premiê, "demonstraram que os franceses estavam preocupados" e que o centro dessas preocupações é "o temor de verem desaparecer este estilo de vida" que caracterizou como "um alto nível de desenvolvimento, mas também de proteção social".

 

"Os franceses têm razão, nosso modo de vida está ameaçado", advertiu Fillon, quer ainda afirmou que "sem reformas, não podemos financiar o modelo de proteção social".

 

Notícia atualizada às 21h11 para acréscimo de informações

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