Oposição britânica quer enfermeira para mãe de recém-nascido

Críticos dizem que ação é prova de que atual liderança do partido quer estabelecer 'Estado-babá'

03 de fevereiro de 2008 | 16h18

O Partido Conservador britânico prometeu instituir, caso volte ao governo, uma "revolução" para a maternidade no Reino Unido. A idéia, segundo reportou o jornal The Observer deste domingo, 3, é colocar uma enfermeira na casa de cada mãe que tenha acabado de dar à luz, por pelo menos seis horas por dia, na primeira semana pós-parto. Os críticos, inclusive entre os próprios conservadores, dizem que se trata de mais uma prova de que a atual liderança do partido quer estabelecer um "Estado-babá" para os britânicos.  David Cameron, líder dos conservadores, se disse impressionado com o modelo holandês. Nele, a enfermeira ensina a mãe a dar de mamar, observa a qualidade da alimentação inclusive dos irmãos do recém-nascido, lava roupa, faz a limpeza e garante que as visitas não atrapalhem o descanso tanto da mãe quanto do bebê, além de registrar os detalhes a respeito da saúde deles, para consulta dos médicos.  Para o secretário das Crianças do governo paralelo conservador, Michael Gove, "o sistema holandês de enfermeiras para todas as mães ajuda os pais nos primeiros dias, que são vitais, assegurando-lhes uma ajuda experiente para garantir que tanto a mãe quanto o bebê tenham assessoria especializada em tudo, desde o banho até a alimentação".  O Observer calcula que a iniciativa custaria, por ano, pelo menos 150 milhões de libras, ou R$ 515 milhões. Cada enfermeira, se for seguido o modelo holandês, ganharia em torno de R$ 3.400. O alto custo será, provavelmente, o principal argumento dos trabalhistas para contestar o projeto.  Cameron concorda que é caro, mas diz que o projeto será implementado aos poucos, e primeiro nas áreas mais pobres do país. Para os conservadores ortodoxos, no entanto, as explicações de Cameron não bastam. Eles acreditam que projetos esses sejam "intrusivos", coisa típica dos trabalhistas.

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