Oposição irlandesa ameaça governo com voto de não-confiança

O oposicionista Partido Trabalhista irlandês afirmou nesta quarta-feira que vai pedir um voto de não-confiança contra o governo, que é amplamente impopular, se até o fim de janeiro não fixar a data da eleição parlamentar.

REUTERS

29 de dezembro de 2010 | 11h34

A medida amplia a pressão para a saída mais rápida do poder do governo do primeiro-ministro Brian Cowen, tão logo entre em vigor no começo do ano a legislação orçamentária.

No mês passado, Cowen foi forçado a anunciar que iria convocar eleições em breve, depois que o partido dos Verdes, minoritário na coalizão governista, anunciou que iria retirar seu apoio ao primeiro-ministro depois da aprovação do orçamento. Depois disso os Verdes indicaram que poderiam estender o prazo até a passagem de leis sobre mudanças climáticas e financiamento de partidos.

Em entrevista ao jornal Irish Times na segunda-feira, Cowen disse que a aprovação completa de toda a legislação sobre o orçamento poderia se estender até o fim de fevereiro.

Um porta-voz dos trabalhistas afirmou que isso seria tempo demais.

"Se a legislação sobre as finanças não tiver sido implementada até o fim de janeiro e o governo não tiver determinado uma data para a eleição, nós apresentaremos (ao Parlamento) uma moção de não confiança", declarou o porta-voz.

Uma representante do outro importante partido oposicionista, o Fine Gael, também deu indicação de que apoiaria uma moção de não confiança. Se for verificado que a eleição está sendo adiada, o Fine Gael "usará toda a tática disponível para tentar forçar a saída do atual governo", disse ela.

As pesquisas mostram que o Fine Gael, de centro-direita, e o Trabalhista, de centro-esquerda, quase certamente formariam o próximo governo.

O partido Fianna Fail, de Cowen, dominou a política irlandesa na maior parte dos 90 anos desde a independência do país, mas deve enfrentar uma derrota histórica na próxima eleição por ser responsabilizado pelo colapso financeiro em que a Irlanda mergulhou e que levou o país a aceitar um socorro financeiro de 112 bilhões de dólares do FMI e União Européia.

O Parlamento aprovou três dos quarto projetos-de-lei do orçamento de 2011. O último, sobre medidas tributárias, deve ser votado depois da retomada das sessões, em 12 de janeiro.

Um voto de não-confiança seria perigoso para Cowen, já que ele depende de dois parlamentares independentes para conseguir a maioria dos votos no Parlamento.

Os dois principais partidos oposicionistas, o Trabalhista e o Fine Gael, disseram que querem renegociar os termos do socorro financeiro concedido ao país, mas têm pouca margem de manobra para mexer nas medidas de austeridade previstas para os próximos cinco anos.

(Reportagem de Yara Bayoumy)

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