Oposição lidera protestos contra presidente da Georgia

Multidão pede que chefe de governo renuncie e antecipe as eleições parlamentares

Agências internacionais,

05 de novembro de 2007 | 14h43

Centenas de opositores participaram de uma manifestação que entrou no seu quarto dia na capital da Georgia, Tbilisi, pedindo a saída do presidente Mikhail Saakashvili e a convocação de eleições parlamentares no primeiro semestre de 2008.   Pelo menos 20 mil pessoas participaram das ações públicas na frente do Parlamento, que começaram na última sexta-feira, contra a decisão de Saakashvili de se recusar a antecipar o pleito. O chefe de governo afirmou que não cederá às chantagens dos partidos de oposição, que ameaçam incentivar que as manifestações tomem todo o país.   Segundo uma emenda aprovada há meses, as eleições parlamentares serão realizadas entre 1 de outubro e 31 de dezembro de 2008, meses depois do previsto anteriormente, de modo a coincidir com as presidenciais.     Quatro ativistas da oposição anunciaram na segunda-feira o início de uma greve de fome em meio a esforços para convencer o presidente da Geórgia a renunciar.     Na sexta-feira, a oposição reuniu em torno de 100 mil pessoas no centro de Tbilisi. Muitos manifestantes exigem a renúncia do presidente Mikhail Saakshvili. Mas os partidos oposicionistas têm apenas três reivindicações. Além da convocação de eleições parlamentares no primeiro semestre de 2008, eles querem a formação de uma Comissão Eleitoral Central e a libertação de todos os presos políticos.   Saakashvili, um importante aliado dos EUA, depara-se com a pior crise de seus quatro anos à frente do poder. O presidente tem sido criticado devido a seu estilo autoritário de governo e por não conseguir combater a pobreza e a corrupção.   O presidente do país sugeriu que os políticos russos, que dominaram a Geórgia no período soviético, incentivavam as manifestações por suas próprias razões por conta das eleições parlamentares e presidenciais que acontecerão no país.   "Uma campanha de mentiras começou contra o presidente, contra a Georgia e contra os interesses do povo", disse Saakashvili."Duas guerras começaram na Federação Russa, na Chechênia, por conta das eleições. Gostaria que todos pensassem sobre as ameaças que o nosso país enfrentará durante o período de eleições russas".   Opositores de Saakashvili rapidamente atacaram o discurso do presidente, o acusando de falhar no entendimento da situação interna da Georgia.   As relações entre a Rússia e a Geórgia vêm se deteriorando nos últimos anos, especialmente em 2006, quando quatro russos, acusados de espionagem, foram expulsos do país do Cáucaso. De maneira geral, muitos georgianos acusam a Rússia de imperialismo, enquanto a Rússia critica a Geórgia por nacionalismo e por adotar uma política externa anti-Rússia.   No domingo, a Geórgia denunciou que três caças-bombardeiros russos Su-24 violaram seu espaço aéreo. Segundo o Ministério da Defesa georgiano, os aviões penetraram três quilômetros no território do país do Cáucaso por volta das 11h locais e vários minutos depois retornaram a seu país de origem, informou a televisão pública georgiana.   Um porta-voz das Forças Aéreas Russas assegurou que esses caças participaram de manobras militares na "Fronteira Caucásica" e que estavam submetidos a um rígido controle a fim de que não cruzassem a fronteira georgiana e assim evitar incidentes.   Em agosto, a Geórgia disse que dois aviões russos invadiram o espaço aéreo georgiano e dispararam um míssil contra um vilarejo.

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