Otan aprova proposta de escudo antimísseis dos EUA na Europa

Apesar da oposição da Rússia, Bush conquista importante apoio com o endosso europeu para sistema de defesa

Agências internacionais,

03 de abril de 2008 | 15h05

Os Estados Unidos convenceram seus aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a endossar os planos americanos de construção de um sistema de escudo antimísseis no Leste da Europa, apesar da forte oposição da Rússia. O documento final da cúpula apoiará o sistema proposto por Washington, dizendo que ele ajudaria a proteger os aliados de ataques de mísseis balísticos e deverá incentivar que Moscou aceite a oferta de cooperar com o projeto. Veja também:Otan engaveta plano de adesão da Ucrânia e da GeórgiaSarkozy respalda política militar de Bush para o AfeganistãoRepública Checa e EUA anunciam acordo para escudo antimíssil A Rússia se opõe ao escudo dizendo que ele seria uma ameaça à segurança do país. A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, considerou o acordo como um "atalho" para a aliança militar. "Agora está claro para a aliança que os desafios para o século 21 se torna necessário um sistema de defesa que possa defender os países europeus", disse Rice aos repórteres nesta quinta. O apoio da Otan ao escudo americano ajuda a reafirmar a liderança dos Estados Unidos dentro da aliança, abalada com a recusa dos países membros em aceitar a proposta americana de convidar a Geórgia e Ucrânia a entrar na organização. Rice ressaltou que a Otan ainda "pediu para que a Rússia pare com as críticas aos esforços da aliança e coopere com os esforços sugeridos pelos Estados Unidos". Os 26 membros da organização reconheceram que o escudo dará à Europa defesa frente a possíveis ataques do Oriente Médio, e pedem à Rússia, que considera o sistema uma ameaça, que retire suas objeções. Os Estados Unidos planejam posicionar 10 plataformas de lançamento de mísseis interceptores na Polônia e um sistema de radares na República Tcheca. Durante entrevista coletiva em Bucareste, o ministro de Relações Exteriores checo, Karel Schwarzenberg, anunciou o sucesso das negociações com os Estados Unidos e que o acordo para a instalação em território checo será assinado em maio. Bush encontrará com presidente russo, Vladimir Putin, em duas ocasiões durante a cúpula da Otan. Os dois líderes devem ainda se reunir no domingo em Sochi, na Rússia, quando Bush tentará convencer Putin de que o escudo antimísseis não tem Moscou como alvo, mas visa impedir possíveis ataques de países inimigos no Oriente Médio. Tanto Rússia quanto os EUA se mostraram otimistas sobre a possibilidade de conseguir avanços em Sochi "Esperamos que a Rússia aproveite a oportunidade para avaliar a importância e a utilidade das medidas que os EUA querem tomar para acalmar seus temores e convencê-la que (o escudo) não se dirige contra a Rússia", sustentou a secretária de Estado. Segundo Rice, "esperamos poder superar este assunto para que fique claro que todos compartilhamos o mesmo interesse na cooperação em matéria de defesa antimísseis". Liderança dos EUA Com a oposição de Alemanha e França, os aliados preferiram ceder às pressões da Rússia e confirmaram, na manhã desta quinta-feira, o adiamento do ingresso de Ucrânia e Geórgia a seu plano de ação, uma fase prévia ao processo de adesão.  O secretário-geral da aliança, Jaap de Hoop Scheffer, disse que a Otan pretende aceitar a Geórgia e a Ucrânia um dia. Paris e Berlim alegam que a iniciativa prejudicaria ainda mais as já abaladas relações com Moscou, fornecedora de energia a diversos países europeus da Otan. O presidente russo, Vladimir Putin, cujo país é um importante parceiro estratégico para a União Européia, havia declarado que a aceitação dessas duas ex-repúblicas soviéticas causaria "grandes problemas políticos". Fontes diplomáticas em Bruxelas já haviam antecipado que seria mais conveniente não contrariar "desnecessariamente" o governo de Moscou. Mas formalmente a justificativa é que Ucrânia e Geórgia não estão preparadas - a primeira devido à falta de apoio de seus cidadãos, e a segundo, aos problemas que enfrenta com as regiões separatistas de Abkázia e Ossétia do Sul. "Chegamos à conclusão de que é muito cedo para dar este status a ambos países", justificou a chanceler alemã Angela Merkel. Em entrevista coletiva, o porta-voz da Otan, James Appathurai, fez questão de ressaltar que "nenhum país de fora tem poder de veto nas decisões" do bloco, como chegou a sugerir Bush, e afirmou que os aliados "deixarão Bucareste completamente unidos" em relação à ampliação. Afeganistão Bush conseguiu uma pequena vitória das mãos do presidente francês Nicolas Sarkozy, que se comprometeu a enviar um novo contingente de soldados ao leste do Afeganistão, atendendo ao pedido dos americanos. Sarkozy confirmou que o reforço francês será de 700 militares. Bush espera conseguir um total de mais 10 mil soldados para sua luta contra o terrorismo no feudo da Al-Qaeda. Mas a maioria dos aliados está reticente em colaborar, por medo de enfrentar uma oposição cada vez maior por parte de seus cidadãos às missões militares da Otan. (Com BBC Brasil, Efe e Associated Press)

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