Otan e Rússia se reconciliam após guerra da Geórgia

Diferenças entre as partes, entretanto, continuam, como sobre o ingresso de ex-repúblicas soviéticas à aliança

Efe,

04 de dezembro de 2009 | 16h27

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a Rússia selaram nesta sexta-feira, 4, sua reconciliação após a ruptura que causou a guerra da Geórgia, em agosto de 2008. Ambas as partes, porém, mantêm suas diferenças sobre esse conflito, assim como sobre futuras ampliações da Otan ou o projeto de Moscou para um acordo de segurança na Europa.

 

Os ministros de Assuntos Exteriores da Otan e da Rússia assinaram três documentos que certificam o reatamento e a potencialização da cooperação política e militar após o período de ruptura que causou o conflito da Geórgia.

 

"Definimos as bases de que precisamos para um novo começo das relações entre Otan e Rússia", disse o secretário-geral da organização, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, após a reunião.

 

Rasmussen reconheceu que, como é habitual com a Rússia, não deixaram de surgir diferenças sobre novas ampliações da Otan ou sobre a guerra da Geórgia. Por sua vez, o dinamarquês disse que "a reunião deixou claro que não deixaremos que esses desacordos ofusquem nossa cooperação em outras áreas".

 

O ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov, também se mostrou satisfeito pelo retomada da cooperação política e militar, mas não deixou de destacar "o risco da continuação dos envio de armas à Geórgia" por parte de países da organização, aos quais pediu que se deem conta do "perigo" dessa atividade.

 

Nesta quinta-feira, a Otan reafirmou seu apoio à integridade territorial e à soberania da Geórgia, país no qual duas regiões - Abkházia e Ossétia do Sul - continuam ocupadas desde o conflito de agosto de 2008 por tropas da Rússia, um dos poucos países que reconhece a independência das duas áreas.

 

O primeiro dos três documentos assinado pelos 28 países da organização e por Moscou é um estudo dos desafios comuns para ambas as partes, o que inclui áreas como terrorismo, tráfico de drogas e luta contra a proliferação de armas de destruição em massa. Além disso, foi assinado um plano de trabalho conjunto para 2010 e uma reestruturação do Conselho Otan-Rússia, o fórum que reúne ambas as partes.

 

Também houve na reunião desta sexta uma discussão informal sobre o projeto de acordo de segurança europeia proposto por Moscou para estabelecer um novo marco de segurança na região euroatlântica, com o qual o Kremlin diz querer acabar com a herança da Guerra Fria, mas que também gera reservas na Otan.

 

O presidente russo, Dmitri Medvedev, enviou no início desta semana um projeto aos dirigentes de países da Europa e da América do Norte, assim como a organizações internacionais como a Otan.

 

Segundo Lavrov, o objetivo dessa iniciativa é "deixar de uma vez por todas a herança da Guerra Fria". O ministro russo insistiu em que um dos pontos-chave da

iniciativa é que nenhum país aumente sua segurança às custas da de outro.

 

Diversos países da Otan temem que este ponto não seja mais do que um eufemismo do Kremlin para tentar obter um direito de veto a futuras ampliações da Otan. Lavrov assegurou que seu país não quer esse veto, mas afirmou que "temos o direito de expressar nossa opinião" sobre a aproximação da infraestrutura militar a "nossas fronteiras".

 

Dois países da antiga União Soviética - Ucrânia e Geórgia - querem entrar na Otan, que ainda não aprovou para eles o plano de ação para prepará-los rumo à integração. Moscou mantém uma enorme reserva quanto a essa possível entrada.

 

A Otan sustenta que o tratado almejado pela Rússia deve ser debatido no marco da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), enquanto Moscou quer tratá-lo também com a primeira entidade.

 

Os ministros da Otan "deixaram claro que estão dispostos a discuti-lo", mas que a OSCE é o "fórum prioritário", destacou Rasmussen.

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