Otan expulsa diplomatas russos por espionagem

Representantes teriam ligação com espião estoniano que entregou segredos do grupo para Moscou

Agências internacionais,

30 de abril de 2009 | 09h38

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) expulsou dois diplomatas russos em represália por um caso de espionagem de um responsável da Estônia que entregou a Moscou segredos sobre a aliança atlântica, segundo confirmaram as duas partes nesta quinta-feira, 30. A decisão foi anunciada um dia depois da retomada dos contatos e da primeira reunião entre representantes da Otan e da Rússia em oito meses, desde que a aliança suspendeu as relações com Moscou em represália à ofensiva russa na Geórgia.

 

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Os diplomatas, entre eles o filho do embaixador russo na União Europeia (UE) Vladimir Shizhov, são membros da representação russa na Otan e estariam envolvidos no caso de um alto funcionário estoniano que foi condenado em fevereiro a 12 anos de prisão por ter oferecido informação secreta a Moscou. A Rússia qualificou a iniciativa da Otan como "provocação grosseira" baseada em "pretextos fantasiosos e sem a mínima explicação compreensível", segundo afirmou a chancelaria.

 

"Foi empreendida uma grosseira provocação contra dois funcionários da representação permanente da Rússia perante a Otan, aos quais pretendem expulsar de Bruxelas sob um pretexto absolutamente falso", afirmou o Ministério de Assuntos Exteriores russo. O comunicado ressalta que "essa ação degradante contradiz as declarações da Otan sobre sua disposição de normalizar as relações com a Rússia", e promete que o governo "tirará conclusões" desse incidente, em alusão a uma possível represália.

 

O embaixador russo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Dimitri Rogozin, negou qualquer envolvimento com tarefas de espionagem dos dois diplomatas e advertiu que este tipo de provocação não ajudam a normalizar as relações entre as duas partes. A decisão "não tem nenhuma razão de ser", disse Rogozin, que qualificou de "bobagem" sua vinculação com um caso e antecipou que Moscou tomará medidas em resposta.

 

Em um comparecimento à imprensa, o embaixador disse que o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, comunicou-lhe na quarta-feira a retirada do credenciamento dos dois diplomatas, após a reunião do Conselho Otan-Rússia que representou a retomada formal das relações bilaterais, interrompidas pelo conflito na Geórgia. Da delegação russa, disseram que é Vasily Chizhov, filho do embaixador de seu país perante a UE e que desenvolve um trabalho de caráter técnico, e Viktor Kochukov, o responsável da seção política da missão e que trabalhava fundamentalmente na embaixada russa, mais que na sede da Otan.

 

Em fevereiro, o oficial da Estônia Herman Sinn, um alto funcionário do Ministério da Defesa estoniano, foi condenado em fevereiro deste ano pela Justiça do país por passar segredos para Moscou. A corte não chegou a revelar para qual país Sinn espionou, mas investigadores afirmam que o oficial chegou a passar 3 mil documentos para a Rússia e que ele teria recebido cerca de US$ 110 milhões. O Kremlin nega envolvimento com o caso.

 

A Otan não fez comentários na época, mas o caso, considerado o maior escândalo de espionagem na Estônia desde a Guerra Fria, foi visto como um embaraço para o ex-país soviético que entrou para a aliança em 2004. Autoridades próximas do caso acreditam que tudo o que foi discutido entre os países da UE foi repassado para a inteligência russa, incluindo documentos confidenciais sobre a crise em Kosovo, o conflito na Geórgia e sobre o projeto do escudo antimísseis americano no Leste Europeu.

 

Exercícios da Otan

 

A Rússia assinou, nesta quinta-feira, um acordo com duas regiões separatistas da Geórgia pelo qual Moscou tem poder de controlar suas fronteiras. O presidente Dmitry Medvedev e os líderes da Ossétia do Sul e Abkházia assinaram o documento acordo numa cerimônia no Kremlin quase nove meses depois da breve guerra entre Rússia e Geórgia. Os acordos, assinados uma semana antes da Otan iniciar exercícios militares na Geórgia, preveem que ambas as regiões delegam à Rússia a proteção de suas fronteiras até que formem suas forças próprias.

 

A Rússia voltou a criticar os exercícios militares que a Otan planeja realizar na Geórgia entre maio e junho. O país é considerado crucial para a rota de petróleo e gás retirados do Cáspio. "O plano dos exercícios da Otan são provocativos, não interessa o quanto os aliados do Ocidente tentem nos persuadir do oposto", afirmou Medvedev depois da assinatura do acordo. "Os que estão tomando estas decisões deverão assumir total responsabilidade por qualquer consequência negativa".

 

Aparentemente, o acordo é uma tentativa de legitimar a presença de milhares de soldados russos nas regiões separatistas, que estiveram no centro da guerra. A Rússia vai controlar as fronteiras de ambas as regiões, incluindo as águas territoriais da Abkházia no Mar Negro, segundo o documento. Os Estados Unidos e a União Europeia (UE) consideram o acordo uma violação do cessar-fogo, que exige que todas as forças voltem para posições mantidas antes dos confrontos de agosto.

 

Para Moscou, o cessar-fogo foi substituído por acordo subsequentes com a Ossétia do Sul e a Abkházia. Ao assinar na quarta-feira o acordo com o líder da Abkházia, Sergei Bagapsh, e o líder da Ossétia do Norte, Eduard Kokoiti, Medvedev a Rússia indicou sua intenção de fortalecer essa afirmação. "Isto é, sem dúvida nenhuma, um ato político", disse Medvedev, segundo a agência estatal de notícias RIA-Novosti. "Esses documentos dão seguimento aos acordos de amizade, cooperação e assistência mútua que assinamos algum tempo atrás".

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