Otan inicia manobras militares na Geórgia sob críticas da Rússia

Moscou diz que exercícios podem encorajar Tbilisi a reconstruir sua estrutura militar devastada na guerra

Agências internacionais,

06 de maio de 2009 | 08h27

A Otan iniciou nesta quarta-feira, 6, na Geórgia a fase preparatória dos exercícios militares "Cooperative Longbow 09/Cooperative Lancer 09", apesar da oposição da Rússia, que qualificou as manobras de "aberta provocação", informou o Ministério da Defesa georgiano.

 

Veja também:

link Em retaliação, Rússia expulsa dois funcionários da Otan

link Medvedev continua enigma para analistas e adversários

 

A Rússia tem criticado duramente os exercícios da Otan na região, afirmando que as manobras podem encorajar a Geórgia a reconstruir sua infraestrutura militar - devastada após o conflito de agosto. Ontem, a Armênia - que é dependente da Rússia para sua sobrevivência econômica - anunciou que não participará das manobras. A Otan ressaltou que sua presença na região não é uma ameaça para a Rússia e convidou Moscou a participar dos exercícios. Mas as manobras militares contribuíram para renovar as tensões entre Otan e Rússia, que tinham suspendido os laços durante o conflito de agosto e retomado relações na semana passada.

 

"A inauguração oficial acontecerá na próxima segunda-feira, mas os hóspedes estrangeiros já chegaram e a fase preparatória das manobras começou", disse um porta-voz. A primeira etapa dos exercícios, que acontecem dentro do programa da Otan "Associação para a Paz", será realizada em nível de Estados-Maiores e se prolongará até 19 de maio. Dois dias depois começará a etapa em terreno, da qual participarão 1.100 soldados de nove países da Otan e de quatro países integrantes do programa "Associação para a Paz", e que terminará no dia 1º junho.

 

Os exercícios de Estado-Maior, que acontecerão na base militar de Viazani, nos arredores de Tbilisi, têm como objetivo aumentar o grau de complementação dos países-membros em nível de brigadas multinacionais em situações de crise. Essas manobras foram tachadas de "aberta provocação" pela Rússia, que considera que, desta forma, a Otan privilegia a Geórgia, apesar de o país ter iniciado, em agosto de 2008, o conflito pelo controle da Ossétia do Sul.

 

A Rússia vê com preocupação essa exibição de força na sua fronteira russa, e na terça-feira o embaixador de Moscou junto à Otan, Dmitry Rogozin, afirmou que a aliança faria melhor em realizar suas manobras "num hospício" do que num país onde há militares "rebelando-se contra o seu próprio presidente".  Tanto a Otan como as autoridades georgianas insistiram em que os exercícios, um simulacro de missão humanitária sob mandato das Nações Unidas e outro de defesa contra um ataque terrorista, acontecerão de acordo com o planejado.

 

O treinamento, planejado há um ano, coincide com a retomada dos contatos formais entre Rússia e Otan, rompidos na época da guerra da Geórgia. Naquela ocasião, Tbilisi tentou retomar à força o controle da república separatista da Ossétia do Sul, atraindo uma reação militar de Moscou, considerada desproporcional pelo Ocidente.

 

Piorando ainda mais o clima, a Rússia anunciou na quarta-feira a expulsão de dois funcionários canadenses de um centro de informações da Otan em Moscou, numa resposta à decisão da aliança militar de expulsar dois diplomatas russos de Bruxelas, na semana passada, sob acusação de espionagem.

 

Matéria atualizada às 13h.

Tudo o que sabemos sobre:
GeórgiaRússiaOtan

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.