Otan propõe cooperação com a Rússia no Ártico

O secretário-geral da Otan, Jaap De Hoop Scheffer, sugeriu nesta quinta-feira que a aliança ocidental e a Rússia, sua rival estratégica, realizem pesquisas e exercícios de resgate em parceria na região do Ártico. Em entrevista coletiva na Islândia, De Hoop Scheffer disse que o aquecimento global e o degelo da calota polar podem abrir rotas marítimas comercialmente viáveis e facilitar o aceso a depósitos energéticos no Ártico, onde, segundo ele, há uma crescente atividade militar. Isso leva a debates sobre a necessidade de a Otan dar mais atenção à região, disse De Hoop Scheffer, para quem é necessário construir medidas para reforçar a confiança entre os cinco países árticos, sendo quatro membros da Otan -- EUA (pelo Alasca), Canadá, Noruega e Dinamarca (pela Groenlândia) -- mais a Rússia. "A aliança e a Rússia já adquiriram experiências compartilhadas em questões de busca e resgate, e também em gerenciamento de desastres", disse De Hoop Scheffer. "Essas experiências podem facilmente ser melhoradas e expandidas, para tratar de desafios comuns no Extremo Norte." Ele acrescentou que tal cooperação pode ser discutida no Conselho Otan-Rússia, um fórum composto por embaixadores, cujas atividades estiveram suspensas no ano passado em protesto da Otan contra as ações militares da Rússia contra a Geórgia. Nesta semana, houve uma sessão informal do Conselho. As reuniões oficiais devem ser retomadas depois do encontro da próxima semana entre De Hoop Scheffer e o vice-primeiro-ministro russo, Sergei Ivanov. O Serviço Geológico dos EUA estima que 13 por cento do petróleo e 30 por cento do gás ainda por descobrir no mundo estejam sob o leito do oceano Ártico. Analistas dizem que o degelo do oceano glacial facilitará não só a exploração de petróleo, mas também abrirá novas áreas para a pesca e para a navegação comercial, reduzindo consideravelmente a viagem entre a Europa e o Pacífico. Moscou reivindica jurisdição sobre a maior parte do Ártico, e no ano passado um minissubmarino russo mergulhou até o leito oceânico e fincou simbolicamente uma bandeira do país. Porém, em maio, numa reunião na Groenlândia, a Rússia e os outros países com litoral ártico concordaram que as reivindicações marítimo-territoriais na região seriam resolvidas no âmbito da ONU. (Reportagem de David Brunnstrom)

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