Otan propõe sistema antimísseis conjunto com EUA e Rússia

Aliança Atlântica defende o aumento da cooperação em todas as áreas de segurança para a defesa global

estadao.com.br,

18 de setembro de 2009 | 09h08

 O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, propôs nesta sexta-feira, 18, "explorar" possibilidades para conectar os sistemas antimísseis dos EUA, da Aliança e da Rússia. Ele ainda pediu "um novo começo" nas relações bilaterais com Moscou, baseado no "realismo" de ameaças comuns, como a proliferação nuclear, e na "cooperação prática" sobre temas de defesa global.

 

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Falando sobre sua visão para uma arquitetura global de defesa harmonizada, os comentários do ex-primeiro-ministro da Dinamarca foram feitos um dia depois da decisão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de cancelar o escudo antimísseis planejado pelo administração George W. Bush para o Leste Europeu, reformulando o projeto. "A Otan quer a Rússia como um participante de fato da segurança europeia e internacional", afirmou Rasmussen, na sede da aliança em Bruxelas. "Nós precisamos da Rússia como um parceiro na resolução das grandes questões de nosso tempo."

 

Os EUA, a Otan e a Rússia deveriam considerar a integração dos sistemas de defesa antimíssil, defendeu Rasmussen. O secretário-geral disse que apoiará a ideia do presidente russo, Dmitry Medvedev, de estabelecer um acordo de segurança que vá do extremo Leste até a costa oeste dos EUA.

 

 
 Alterações do novo plano do sistema antimísseis dos EUA

Rasmussen defendeu uma arquitetura de segurança para a região "Euro-Atlântica na qual a Rússia se veja refletida". Segundo ele, estabelecer meios de evitar a proliferação da tecnologia de mísseis balísticos é parte do "interesse estratégico fundamental da Otan e da Rússia". "Nós devemos explorar o potencial de ligação entre os sistemas de defesa antimíssil dos EUA, da Otan e da Rússia em um momento propício."

 

Rasmussen avaliou que a revisão desses desafios de segurança seriam "uma base firme para nossa futura cooperação". O secretário-geral da Otan notou que as propostas exigiriam "vontade política considerável" e poderiam "rapidamente tornar-se reféns da política doméstica".

 

Rasmussen pediu ainda que Moscou pressione o Irã a abandonar suas pretensões nucleares. Teerã defende seu direito de dispor de tecnologia nuclear, e afirma que possui apenas fins pacíficos. Já EUA, Israel e outras nações acreditam que há um programa secreto iraniano, que inclui a produção de armas nucleares. O Irã já recebeu sanções do Conselho de Segurança da ONU por não desistir de seu programa nuclear. O governo russo, porém, defende que não haja novas sanções a Teerã por enquanto.

 

Elogios russos

 

Enquanto Rasmussen discursava, na Rússia o primeiro-ministro Vladimir Putin elogiou como "correta e brava" a decisão de Washington de engavetar os planos de Bush. "A última decisão do presidente Obama nos anima e tenho uma grande esperança de que, após essa decisão, virão outras". O chefe do governo russo indicou que Moscou agora espera o levantamento total de todas as restrições para a colaboração com a Rússia para a transferência de altas tecnologias e a eliminação das barreiras que impedem a entrada da Rússia na Organização Mundial de Comércio (OMC).

 

Para o embaixador de Moscou na Otan, Dmitry Rogozin, o discurso do secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, enfocando a cooperação na segurança com a Rússia, foi "positivo e muito construtivo". "temos que analisar juntos" as propostas do discurso, afirmou Rogozin, em Bruxelas, após a fala de Rasmussen.

 

O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, descartou qualquer acordo "precipitado" com os Estados Unidos sobre o uso de mísseis. "Se nossos parceiros ouvem algumas de nossas preocupações, nós também estaremos atentos às deles", notou Medvedev, em entrevista à imprensa suíça, antes de uma visita ao país europeu na semana que vem. "Isso não significa compromissos nem acordos primitivos", acrescentou ele, quando questionado se Moscou fez alguma concessão para obter o recuo dos EUA.

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