Otan retoma contatos diplomáticos com a Rússia

Moscou afirma que vai insistir em discutir causas do conflito que provocou a invasão russa na Geórgia

Agência Estado e Associated Press,

19 de dezembro de 2008 | 15h25

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, disse nesta sexta-feira, 19, que Moscou vai insistir no fato de que as causas de guerra na Geórgia, ocorrida em agosto, sejam determinadas, na medida em que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a Rússia retomam os contatos diplomáticos suspensos desde a guerra. O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, e Dmitry Rogozin, o embaixador russo na aliança, encontraram-se para um almoço nesta sexta-feira no que foi o primeiro encontro de alto nível após o hiato causado pela guerra. A reunião informal teve como objetivo discutir como os contatos formais podem ser restaurados. Diplomatas russos em Bruxelas disseram que não esperam nenhum acordo específico sobre como restabelecer os contatos entre a Otan e o Conselho da Rússia, um painel consultivo estabelecido em 2002 para melhorar as relações entre os ex-adversários da Guerra Fria.  "Eles concordaram em procurar formas para retomar os compromissos", disse a porta-voz da Otan, Carmen Romero. Segundo ela, os dois lados vão tentar realizar um encontro informal do conselho, em nível de embaixadas, no próximo mês. Segundo Rogozin, o almoço com De Hoop Scheffer foi um passo na direção da "normalização" das relações. "A coisa mais difícil é dar o primeiro passo", disse ele. "Estamos no começo da difícil rota para restaurar a confiança."  Em Moscou, o ministro de Relações Exteriores, Serguei Lavrov, disse que o lado russo quer discutir as causas da breve guerra na qual as forças russas ocuparam grandes partes da Geórgia depois que as tropas georgianas terem invadido a região separatista da Ossétia do Sul. Os Estados Unidos e alguns países do Leste da Europa acusam Moscou de ter causado do derramamento de sangue, mas Moscou diz que suas ações militares foram defensivas e uma resposta à agressão da Geórgia. "Agora, quando nossos colegas da Otan falam sobre a retomada das relações, insistiremos que a restauração de laços comece com a discussão sobre as causas da crise no Cáucaso das quais nossos parceiros da Otan esquivaram-se em agosto", disse Lavrov. Apesar da decisão da Otan de suspender contatos de alto nível com Moscou depois da guerra, a cooperação no caso de interesses comuns, como o combate à pirataria na costa da Somália, continua. Moscou também concordou em permitir que a aliança use seu território para enviar suprimentos para os 62 mil soldados da aliança no Afeganistão, uma questão que tem preocupado cada vez mais a Otan por causa dos ataques de forças favoráveis ao Taleban a comboios no Paquistão.  Os ministros de Relações Exteriores dos países da Otan haviam concordado, no início deste mês, com a retomada gradual dos contatos de alto nível com Moscou. "Nós mostramos nosso descontentamento com o fato de a Rússia ter usado força militar para invadir a Geórgia e alterar as fronteiras pela força das armas", disse Kurt Volker, embaixador dos Estados Unidos na Otan, em comunicado nesta sexta-feira. "Ainda assim, também demonstramos nosso desejo por relações de cooperação com a Rússia."

Tudo o que sabemos sobre:
OtanRússia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.