Otan retoma laços com a Rússia após crise na Geórgia

Ministros aceitam retomar laços formais com russos enquanto Hillary pediu por 'novo começo' com Moscou

Agências internacionais,

05 de março de 2009 | 11h50

Os ministros de Relações Exteriores da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) decidiram por unanimidade nesta quinta-feira, 5, restabelecer as relações formais com a Rússia, rompidas após o conflito com a Geórgia, anunciaram fontes da Aliança Atlântica. Depois de um longo debate, os ministros de Relações Exteriores da Otan, reunidos em Bruxelas, concordaram em reativar o Conselho Rússia-Otan, um fórum de debates sobre uma vasta gama de assuntos, cujos trabalhos foram interrompidos há sete meses por conta da invasão russa na Geórgia.   A decisão chega num momento em que a Otan e seus aliados buscam a cooperação russa na luta contra a insurgência no Afeganistão. A Lituânia argumentou que a decisão deveria ser adiada até a reunião de chefes de Estado da Otan, marcada para o início de abril. Já a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, foi contra o adiamento da decisão. Nesta quinta, Hillary  defendeu um "novo começo" nas relações entre a Otan e a Rússia, e pediu aos outros aliados "realismo" para superar as diferenças e recuperar os fóruns de diálogo formal quebrados pelo conflito na Geórgia.   Numa entrevista coletiva concedida ao término do encontro de chanceleres, o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, anunciou que o assunto estava resolvido, como já era esperado. A retomada de relações incluirá as reuniões ao mais alto nível e acontecerá "o mais rápido possível", após a cúpula da Aliança de chefes de Estado e de Governo que acontecerá no início de abril. De Hoop Scheffer lembrou que a Otan não pode aceitar algumas atitudes da Rússia, como os planos de Moscou para construir instalações militares nas repúblicas separatistas georgianas da Abkházia e da Ossétia do Sul, que os aliados consideram "território da Geórgia". O secretário-geral da Otan disse que a Rússia "é um ator mundial", por isso a falta de diálogo com Moscou "não é uma opção", apesar das diferenças com a política externa do Kremlin.   O Ministério de Relações Exteriores russo comemorou a decisão. "É um passo na direção correta, e constatamos com satisfação que na Otan se impôs o bom senso", disse o porta-voz da chancelaria russa, Igor Liakin-Frolov. Segundo ele, a decisão não deveria ser um passo "unilateral" da Otan, mas "uma decisão conjunta com a Rússia", segundo a agência RIA Novosti. "A suspensão do diálogo político com a parte russa foi um erro", disse o diplomata.   A expectativa é de que a reaproximação entre a Otan e a Rússia dê impulso aos esforços do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para estabelecer laços mais fortes com Moscou depois de anos de atrito durante o governo George W. Bush. A retomada das relações ocorre apesar das preocupações da Otan com a postura de Moscou de reafirmação de sua influência regional.   De acordo com a secretária americana, não se deve interpretar a eventual recuperação das reuniões formais e regulares do Conselho Otan-Rússia como uma "recompensa ou concessão" a Moscou. "É o momento de explorar um novo começo. Podemos e devemos encontrar caminhos para trabalhar de um modo construtivo com a Rússia, com quem compartilhamos áreas de interesse comum, incluindo a ajuda ao Afeganistão", disse Hillary, em seu primeiro Conselho de Ministros de Exteriores da Aliança.   "Deveria ser considerado como um fórum de diálogo sobre os temas de desacordo e uma plataforma de cooperação que nos interessa", defendeu Hillary, para quem "não se deve ficar imóvel esperando que as coisas mudem sozinhas". Ao mesmo tempo, a secretária de Estado considerou que a porta da Otan deve permanecer aberta para a futura entrada da Geórgia e da Ucrânia, um dos principais pontos de atrito com a Rússia, que não quer que suas antigas repúblicas façam parte da Otan.

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