Padre alemão admite ter abusado sexualmente de três meninos

Um padre católico admitiu nesta quinta-feira perante um tribunal alemão que abusou de três meninos a partir de 2004, disse a imprensa alemã.

REUTERS

12 de janeiro de 2012 | 19h49

O padre, de 46 anos, foi identificado nos documentos judiciais como Andreas L.. Uma das vítimas estava sendo preparada pelo padre para a primeira comunhão e as outras duas eram irmãos que ele acompanhou a viagens, incluindo à Disneylândia de Paris.

"O pior aspecto é que ele explorou a confiança deles", disse o promotor Klaus Ziehe, da cidade de Braunshweig, no centro do país, em declarações publicadas pelo jornal Sueddeutsche Zeitung.

Assim como em outros países, acusações de abuso têm abalado a Igreja Católica na Alemanha, levando-a a abrir seus arquivos a investigadores independentes e permitindo buscas por provas de possíveis abusos ocorridos desde 1945.

O padre, detido em meados do ano passado, usou uma pasta para cobrir o rosto no tribunal, diante de alguns paroquianos seus presentes nas galerias. Alguns balançaram a cabeça ou levaram a mão à boca, em choque, ao escutar as acusações sendo lidas, relatou o jornal.

Casos como esse podem estar por trás de um êxodo de fiéis católicos. Um estudo mostra que cerca de 180 mil alemães deixaram a Igreja em 2010, aumento de 40 por cento em relação ao ano anterior.

Pela primeira vez na Alemanha do pós-guerra, o número de fiéis que deixa a Igreja Católica supera a evasão das religiões protestantes, segundo a pesquisa publicada na revista Christ & Welt.

O papa Bento 16, que é alemão, se reuniu em setembro com vítimas de abusos sexuais cometidos pelo clero local, e manifestou profundo pesar. Berlim reservou 100 milhões de euros para custear o acompanhamento psicológico das vítimas.

A Igreja Católica alemã enfrenta atualmente cerca de 600 processos exigindo indenização.

(Reportagem de Brian Rohan)

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