Pai convida Berlusconi e Napolitano para visitar Eluana

Presidente do governo afirmou que 'não desligaria o aparelho' se seus filhos estivessem na mesma situação

Efe

07 de fevereiro de 2009 | 18h26

Giuseppe Englaro convidou neste sábado, 7, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, e o presidente da República, Giorgio Napolitanio, para visitar sua filha Eluana, em estado vegetativo há 17 anos, para que se deem conta da situação em que se encontra.   "Sou o tutor de Eluana Englaro, mas neste momento falo de pai para pai. Me dirijo ao presidente da República, Giorgio Napolitano, e ao presidente do Governo, Silvio Berlusconi, para que venham a Udine e se deem conta, pessoalmente e privadamente, das verdadeiras condições em que minha filha Eluana se encontra", disse Giuseppe em uma nota divulgada pelo advogado da família, Vittorio Angiolini.   Eluana Englaro, de 38 anos, está internada desde o dia 2 de fevereiro na clínica La Quiete, em Udine, no nordeste do país, onde uma equipe médica lhe retirou a alimentação e a hidratação assistida para ajudá-la a morrer.   O Executivo anunciou a apresentação de um projeto de lei para deter a morte de Eluana que será apresentado neste domingo no Parlamento com o objetivo de ser aprovado no tempo recorde de dois ou três dias.   A opção do projeto de lei foi lançada depois de Napolitano se negar a assinar um decreto urgente com o qual o Governo de Berlusconi pretendia deter a eutanásia.   O caso criou uma contraposição entre as duas principais instituições do país, o Governo e o presidente da República, pois o Executivo de Berlusconi aprovou o decreto urgente apesar de Napolitano ter advertido que não o assinaria por ser "inconstitucional".   Berlusconi assegurou que, segundo seus dados, em 50% dos casos pessoas em estado vegetativo despertam do coma, e acusou de "crueldade" os médicos de Eluana.   "Francamente, não entendo como profissionais que trabalham para salvar vidas humanas possam se comprometer a realizar uma ação deste tipo, que leva à morte com crueldade, ao privar o organismo de comida e água", disse.   O presidente do Governo, que até sexta não tinha se expressado sobre o tema, assegurou que "não desligaria os aparelhos" se um de seus filhos se encontrasse na mesma situação de Eluana.   Giuseppe Englaro começou há dez anos uma batalha legal para conseguir a eutanáisa de sua filha, e finalmente o Tribunal de Apelação de Milão o autorizou a retrar a alimentação artificial que a mantém com vida.

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