Pai de Carla Bruni critica imprensa sensacionalista

Maurizio Remmert vive em São Paulo há 32 anos e passou a ser assediado por causa de romance da filha

Luiz Américo Camargo,

09 de janeiro de 2008 | 00h57

O empresário italiano Maurizio Remmert, pai da cantora - e provável futura primeira-dama da França - Carla Bruni, chegou à seguinte formulação para o que tem sido sua rotina nos últimos dias. "Cultivei 61 anos de vida discreta para, de repente, tudo se transformar num inferno." Remmert, que vive em São Paulo há 32 anos, ganhou a inesperada exposição graças ao namoro da filha famosa com o presidente francês Nicolas Sarkozy. "Nunca quis notoriedade. Minha filha é uma artista, uma pessoa pública. Eu não", desabafa. Os próprios laços de sangue entre os dois sempre foram tratados com discrição.   Veja também:   Sarkozy promete mudar panorama econômico da França   A primeira menção pública ao fato de que o pai de Carla Bruni vivia no Brasil foi feita há onze meses, nas páginas de O Estado, quando o empresário, aficionado por vinhos e gastronomia, foi entrevistado pelo caderno Paladar. Remmert conta que jamais falou a respeito sobre o assunto, a não com a família e amigos próximos. E lamenta que seu nome agora apareça em reportagens de tablóides sensacionalistas, com os quais se recusa a conversar. Em entrevista exclusiva ao Estado - "a única que pretenda dar" - , ele fala sobre sua relação com a filha e, principalmente, clama por sossego.   Em poucos dias, o senhor passou da condição de pai de uma cantora famosa para pai da futura primeira-dama da França... Como tem sido isso?   No que diz respeito à relação com a Carla, não muda nada. É minha filha, quero o bem dela, que seja feliz. Agora, o que me deixa indignado é o assédio desleal da imprensa sensacionalista, e as muitas mentiras que foram publicadas. Um desses jornais, por exemplo, saiu com a seguinte manchete: "Empresário reclama ser o pai de Carla Bruni". É um absurdo, é como se eu quisesse aparecer. Quero deixar claro o seguinte: nunca alardeei nada a respeito. A primeira vez em que fui citado como pai dela foi no Paladar, há quase um ano, e o assunto era gastronomia. A repórter que foi à minha casa fazer uma reportagem sobre meus equipamentos de cozinha viu uma foto da Carla e perguntou se eu a conhecia. Outras pessoas que estavam presentes responderam: "Ele é o pai dela". Eu não desmenti, foi publicado, e só. Agora, tenho minha privacidade invadida, a última coisa que queria. Sou um homem normal, não uma figura pública, não me conhecem. Quero continuar a viver assim.   Por isso esta é sua primeira entrevista a respeito...   Primeira e única. Resolvi falar ao Estado porque é um jornal sério, o que leio desde que vim para o Brasil trabalhar com alimentos. Quero rebater as bobagens que têm sido publicadas. A começar da própria história de como a Carla soube que eu era seu pai, a minha relação com a mãe dela, a Marisa Tedeschi e outras coisas mais. Depois, me recolho ao meu silêncio.   Você sabe que Carla é sua filha desde quando?   Desde sempre, quando ela nasceu, há quarenta anos. Vivíamos em Turim, e nos conhecíamos do ambiente musical da cidade. Eu tinha 19 anos quando comecei a me relacionar com Marisa, pianista, então com 32. Alberto, seu marido, era empresário e compositor. Toquei muito tempo, gravei discos, fiz concertos, e convivíamos como músicos. Tive uma grande história de amor com ela, durante seis anos, não um caso fugaz. Ela era casada e, à época, não revelamos que eu era o pai quando Carla nasceu, em 1967. Essa história, lá em Turim, é sabida. Mas, por natureza, nós do Norte da Itália somos discretos.   E Alberto Bruni Tedeschi já sabia?   Não sei dizer quando ele descobriu, mas faz tempo (Tedeschi morreu em 1996). Ele era uma pessoa sensacional, e sempre tratou Carla como sua legítima filha. Quando ele estava doente, Marisa contou à Carla quem era seu pai. E não teve nenhum dramalhão, nada de confissões à beira da morte. Foi um conversa de adultas, mãe e filha. Quando encontrei Carla pela primeira vez, já com ela sabendo a verdade (pois já nos conhecíamos, desde que ela nasceu), foi algo natural, tranqüilo, nosso relacionamento é ótimo. O curioso é que ela dizia que sempre se sentiu diferente dentro da família. Hoje ela é muito próxima da Consuelo, minha outra filha, que é muito bem-sucedida como administradora de empresas em Nova York. Converso com Carla freqüentemente e, sempre que posso, vejo meu neto, que é inteligente como pai, o filósofo Rafael Enthoven, que estimo muito.   Vocês e Carla falam a respeito de Sarkozy?   Eu não me meto na vida das minhas filhas. Quero que Carla, Consuelo, e minhas enteadas Ana Paula e Ana Luiza sejam felizes, seja com quem for. Ela não falou sobre o casamento com o presidente? Não, e eu não pergunto, ela que me conte quando quiser. Por esse motivo, além da privacidade, tenho recusado falar com tanta gente que tem me procurado. Eu não sei, não tenho o que contar. E, mesmo assim, fizeram absurdos. Jornalistas de tablóides conseguiram meu celular, o que me obrigou a mudar meus números; invadiram meu escritório, imagine, estamos falando de propriedade privada; abordaram minha mulher, Marcia de Luca, que é professora de ioga e radialista e, portanto, uma pessoa mais conhecida; e incomodaram até minha sogra, uma senhora de 84 anos com problemas de saúde.   E com Sarkozy, o senhor conversa? Sobre isso, não tenho o que comentar.

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