País condena Irã a duas semanas da visita de Ahmadinejad

Ministro afirma que palavras de presidente iraniano na ONU 'não condizem' com conferência sobre racismo

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

21 Abril 2009 | 12h51

O Brasil atacou nesta terça-feira, 21, o comportamento do Irã na ONU, a duas semanas da chegada da primeira visita bilateral do presidente iraniano ao País, Mahmoud Ahmadinejad. "Condenamos veementemente a posição do presidente do Irã", afirmou o ministro de Igualdade Racial, Edson Santos. O Itamaraty também soltou uma nota, condenando o discurso e ainda confirmando a visita do presidente. O Brasil não deixou a sala, mas hoje optou por criticar o discurso. "As palavras do Irã não condizem com a conferência", acrescentou o ministro. "Ele nega fatos históricos."

 

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Na segunda-feira, 20, Ahmadinejad se transformou no pivô de uma turbulência política internacional. O iraniano abriu a conferência da ONU contra o racismo com uma mensagem de ódio a Israel, questionando o Holocausto e ainda atacando a "arrogância" do Ocidente. Os países europeus deixaram a sala em protesto e o discurso foi interrompido por manifestantes, que se vestiram de palhaço e chegaram a atirar pedaços de papéis no iraniano. Em um verdadeiro tumulto, seguranças corriam pela sala em captura dos manifestantes, enquanto Ahmadinejad apenas sorria.

 

Os presidentes Barack Obama e Nicolas Sarkozy atacaram Ahmadinejad. O secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, abandonou sua cautela e deplorou a atitude do iraniano. "Que dia. Nunca vi um procedimento tão destrutivo por um país-membro", afirmou Ban, experiente diplomata. "Isso foi totalmente inaceitável", disse, chegando a falar em tomar "medidas disciplinares."

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