Países árabes e islâmicos condenam 'ação selvagem' de Israel

Liderados pela Turquia, nações pedem reuniões da Liga Árabe e da ONU para tratar do ataque

Reuters

31 Maio 2010 | 09h52

 

ISTAMBUL - O ataque de Israel a uma frota que levava ajuda humanitária a Gaza e que deixou ao menos 10 mortos causou reações de condenação na comunidade internacional, principalmente nos países de origem árabe e nações predominantemente islâmicas. Governos convocaram diplomatas israelenses em seus territórios e pediram que o caso fosse levado ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

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A Turquia, país predominantemente islâmico com boas relações com Israel, pediu que sejam "punidos" os culpados pelo ataque israelense. O presidente da Turquia, Abdullah Gül, por meio de comunicado divulgado no site da Presidência da República, afirmou que o Governo turco fará todo o necessário para preservar os direitos e interesses dos cidadãos turcos que viajavam na frota atacada.

 

Além disso, o comunicado diz que Ancara se reserva o direito de pedir todas as investigações necessárias e a punição aos responsáveis pelo ataque. "Condeno o uso da força por parte das forças militares de Israel contra o comboio com ajuda humanitária a Gaza, no qual viajavam membros de organizações da sociedade civil de 32 nacionalidades", disse o chefe do Estado turco.

 

"Com seu comportamento, Israel prejudicou seriamente a consciência pública internacional", acrescentou. Segundo o comunicado, Israel põe em sério risco o processo de paz recém retomado com os representantes palestinos. "Espero que o bloqueio desumano (a Gaza) seja suspenso", manifestou.

 

O líder turco pediu àqueles com "bom senso" dentro do Estado e na política israelenses que digam "basta" às ações como a ocorrida nesta segunda. Por outro lado, Gul fez um apelo aos cidadãos turcos para que ajam de forma solidária e se comportem com "bom senso" nos protestos.

 

Ancara também convocou seu embaixador em Israel para consultas em protesto ao ataque israelense. O governo também pediu a convocação de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir o assunto.

 

O vice-primeiro-ministro turco, Bülent Arinç, disse também que a Turquia suspendeu seus exercícios militares conjuntos com Israel, país com o qual havia criado uma forte relação econômica e militar. O vice-premiê também anunciou que pedirá à Organização da Conferência Islâmica, à União Europeia e à Liga Árabe que se reúnam para avaliar os fatos em caráter de urgência. 

 

A Síria apoiou o pedido da reunião da Liga Árabe. "A representação síria na Liga Árabe publicou um comunicado formal pedindo uma reunião do grupo", informou a agência oficial da Síria.

 

Junto do Líbano, o país emitiu um comunicado condenando "o selvagem ataque israelense contra civis" logo após uma reunião entre os presidente sírio, Bashir Al-Assad, e do premiê libanês, Saad al-Hariri.

 

ONU

 

Por sua vez, o ministro de Assuntos Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, irá a Nova York para pedir a convocação do Conselho de Segurança da ONU, do qual a Turquia pertence como membro rotativo. "Este incidente ressalta mais uma vez a temeridade de Israel. É uma mancha negra na história da humanidade", disse Arinç.

 

O pedido da realização de uma reunião na ONU foi respaldado pelo governo do Líbano, que preside durante este mês o Conselho de Segurança da ONU, ao qual pertence como membro rotativo para o biênio 2010-2011.

 

As fontes disseram que o pedido de convocar esse órgão foi feita diretamente pelo primeiro-ministro libanês. Segundo as mesmas fontes, o representante do Líbano na ONU está coordenando ações com autoridades turcas nas Nações Unidas, a fim de definir uma resposta ao ataque.

 

Diplomatas

 

Egito e Jordânia também convocaram diplomatas israelenses para esclarecer as causas do ataque, informaram fontes oficiais dos dois países, os únicos dois de origem árabe que mantém relações diplomáticas com Israel. Em Cairo, foi convocado o embaixador, enquanto em Amã foi chamado o encarregado de negócios.

 

Em comunicado oficial, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, condenou "o uso exagerado e sem motivos de força por parte de Israel e as vítimas inocentes que a ação causou". A mensagem presidencial expressa a solidariedade egípcia "com o povo de Gaza" e indica que "a reconciliação palestina é o único caminho para retirar o bloqueio e colocar fim ao sofrimento dos cidadãos de Gaza". O Egito era um dos mediadores das negociações de paz entre israelenses e palestinos.

 

Já o ministro de Informação da Jordânia, Nabil Sharif, disse que o ataque "violou todos os princípios humanitários e as leis internacionais, porque nada justifica o uso da força contra a expedição humanitária. Ele ainda confirmou que a Jordânia participará da reunião urgente convocada pela Liga Árabe para tratar do tema.

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