Papa Francisco é celebrado em vilarejo italiano de seus antepassados

Jorge Mario Bergoglio entrou para a história como o primeiro pontífice da América Latina, mas seus primos distantes em um vilarejo no norte da Itália afirmam que o argentino papa Francisco é um dos seus.

ANTONELLA CIANCIO, Reuters

15 de março de 2013 | 14h12

O bisavô de Bergoglio, chamado Francesco, comprou uma fazenda em 1864 em Bricco Marmorito, à sombra dos Alpes, em uma região produtora de vinho no noroeste da Itália.

Parentes que vivem na aldeia tranquila ficaram animados quando o nome de Bergoglio foi anunciado como o novo papa da varanda da Basílica de São Pedro, 700 quilômetros ao sul, em Roma, na noite de quarta-feira.

"Quando ouvimos a notícia, ficamos realmente surpresos porque nunca pensamos que ele poderia se tornar papa", afirmou Anna Bergoglio, uma prima distante do papa Francisco, no jardim de sua casa na província de Asti, mais conhecida por seus vinhos espumantes.

Sua filha adulta Roberta era uma das poucas na família, e não só nela, que parecia ter um pressentimento de que ele poderia se tornar líder dos 1,2 bilhão de católicos do mundo.

"Na sexta-feira, estávamos olhando para uma fotografia dele e minha filha disse: 'Mãe, você acha que ele poderia ser o papa Bergoglio? E eu disse: ‘Espero que sim'", lembrou Anna.

Francisco e os cardeais que o elegeram brindaram sua nomeação na quarta-feira com uma taça de vinho frisante Asti, um aceno para suas raízes italianas e mais barato do que champanhe para um homem que gosta de evitar luxos.

REUNIÃO DE FAMÍLIA

O pai de Bergoglio emigrou da Itália na década de 1920, um dos milhões de italianos que se mudaram para a Argentina em busca de uma vida melhor.

O novo papa fala fluentemente italiano, embora com um ligeiro sotaque espanhol, e acredita-se que suas ligações com a Itália tenham facilitado sua eleição no conclave secreto.

Ele é o terceiro papa sucessivo a vir de fora da Itália depois de séculos de dominação italiana do papado.

Seus primos contaram que o pai do papa trabalhava numa ferrovia, enquanto seu avô tinha uma loja de alimentos na cidade vizinha de Asti. "Ele veio da pobreza, ele é um bom homem", disse Anna Bergoglio.

Os Bergoglios agora estão ansiosos por uma reunião de família.

"O Vaticano me ligou porque eles querem organizar uma oportunidade para nós, parentes, irmos visitá-lo lá", disse Delmo Bergoglio, de 75 anos de idade.

O papa Francisco voltou à terra natal para ver a família há uma década.

"Ouvi dizer que ele levou um punhado de terra com ele para a Argentina", contou Delmo Bergoglio.

No vilarejo vizinho de Portacomaro, que abriga casas de concreto modestas e uma igreja moderna, os moradores estão aproveitando a atenção pela ligação com o papa.

"O papa está aqui conosco", diziam letras coloridas em um cartaz branco pendurado na varanda de uma escola primária.

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