Papa inicia visita à Espanha com pedido de ética na economia

O papa Bento 16 condenou nesta quinta-feira as estruturas econômicas que põem o lucro diante das pessoas, no início de uma viagem pela Espanha, afetada pela recessão e onde os custos da visita do pontífice provocaram violentos protestos.

JUDY MACINNES, REUTERS

18 de agosto de 2011 | 12h37

"A economia não pode ser medida pelo lucro máximo, mas pelo bem comum", disse Bento 16 a jornalistas, no avião que o levava a Madri para o início de uma visita de quatro dias, concentrada nas festividades da Jornada Mundial da Juventude, evento da Igreja Católica Romana.

"A economia não pode funcionar somente com auto-regulamentação mercantil, mas precisa de um motivo ético para agir pelo homem", disse ele.

A economia espanhola enfrenta dificuldades para sair de uma recessão que deixa 1 em cada 5 trabalhadores desempregados, dos quais boa parte são jovens.

O descontentamento com os cortes de gastos do governo, a economia em dificuldades e a perda de perspectivas de obter um emprego deu origem a um movimento de protesto denominado "Os Indignados", formado por jovens que ocuparam em maio a praça central de Madri, a Puerta del Sol.

Os custos da viagem do papa num momento de crise econômica reacenderam os protestos dos Indignados e outros grupos, incluindo gays e lésbicas. As manifestações se tornaram violentas na quarta-feira, quando houve confrontos entre jovens que protestavam e peregrinos que iriam participar da Jornada católica.

O governo se negou a divulgar dados de gastos com a segurança extra para a visita do papa, entre outros, mas se estima que custe ao redor de 100 milhões de euros.

Organizadores da Jornada dizem que não haverá despesas para os contribuintes e que a visita vai gerar renda para os cofres públicos.

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