Paquistão não deve ser 'base de exportação do terrorismo', diz Cameron

Declaração polêmica do premiê britânico foi posteriormente esclarecida em entrevista

estadão.com.br

28 de julho de 2010 | 11h21

Cameron discursa em universidade indiana. 

 

BANGALORE - O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, disse nesta quarta-feira, 28, que o Paquistão deve tomar ações para que não se torne uma base para militantes islâmicos e que "não exporte o terrorismo". A declaração do premiê foi feita em Bangalore, na Índia, onde se encontra com empresários asiáticos, segundo o jornal britânico The Guardian.

 

Cameron disse que discutiu o terrorismo no Paquistão com o presidente dos EUA, Barack Obama, durante sua visita à Casa Branca na semana passada. O assunto também estará a pauta de seu encontro da quinta-feira com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.

 

Seguindo a linha da posição indiana sobre o terrorismo no Paquistão, o premiê praticamente disse que o país exporta terrorismo. "Não podemos tolerar em hipótese alguma a ideia de que esse país pode agir de duas formas e está apto a promover a exportação do terrorismo, seja para a Índia, seja para o Afeganistão ou qualquer outro lugar do mundo", disse Cameron.

 

"É por isso que esse relacionamento é importante. Deveria ser um relacionamento baseado em uma mensagem clara, uma mensagem de que não é certo ter ligações com grupos terroristas. Estados Democráticos que querem ser parte de um mundo desenvolvido não podem faz isso. A mensagem do Reino Unido e dos EUA ao Paquistão é bem clara", continuou o premiê.

 

O Reino Unido já alertou anteriormente sobre a ameaça do terrorismo na região, mas as palavras de Cameron nesta quarta sugerem que o premiê praticamente endossa a visão do governo da Índia de que Islamabad compactua com grupos terroristas do país.

 

Cameron, porém, esclareceu suas declarações ao dar uma entrevista a uma rádio britânica minutos depois de seu discurso em Bangalore. "O que quis dizer era que precisamos ser claros com os paquistaneses, assim como nós (britânicos) e os americanos são. É inaceitável que os grupos terroristas recebam qualquer apoio de dentro do Paquistão", declarou.

 

Questionado sobre o uso da expressão "exportar terrorismo", o premiê disse que "escolhe suas palavras cuidadosamente e que quis dizer que é inaceitável que haja algo dentro do Paquistão que possa dar suporte ao terrorismo em qualquer outro lugar".

 

O premiê e seu próprio gabinete minimizaram a polêmica das declarações. Um porta-voz do governo disse que Cameron não quis dizer que o governo do Paquistão exporta terrorismo. "O primeiro-ministro não está dizendo que o governo apoia o terrorismo. Ele só está dizendo, como o fez anteriormente, que Islamabad precisa fazer mais para inibir o extremismo", comunicou o representante.

 

O governo, porém, não esclareceu se, em seu discurso, o premiê se referiu a outros elementos paquistaneses, como a agência de inteligência, acusada de dar apoio ao Taleban, segundo documentos secretos dos EUA revelados no domingo pelo site wikileaks.org. Cameron disse que "escolheu suas palavras cuidadosamente porque quis distinguir o governo de outros órgãos".

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