Para a Geórgia, míssil pode estar ligado à sucessão de Putin

Eleição presidencial russa é uma das hipóteses levantadas por governo georgiano para ataque em vilarejo do país

Agências internacionais,

08 de agosto de 2007 | 10h08

O governo da Geórgia alegou nesta quarta-feira, 8, ter  provas segundo as quais aviões russos teriam violado seu espaço aéreo e lançado um míssil que caiu sem explodir perto de uma casa em um vilarejo no país. Segundo a chancelaria do país, o ataque pode estar ligado à sucessão do presidente russo, Vladimir Putin.  Veja também: Míssil teria caído de caça russo atacado na GeórgiaO Ministério das Relações Exteriores da Geórgia protestou formalmente, qualificando a suposta invasão como "uma agressão aberta e uma brutal violação da soberania do país"."Não acredito que tenha existido uma autorização" por parte de Putin, afirma o ministro em entrevista publicada na edição desta quarta do jornal francês Le Figaro. Bezhuashvili assegurou que a Geórgia tem "imagens de radar que provam claramente" que os aviões procediam da Rússia.Segundo a chancelaria georgiana, registros de radar compatíveis com os da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) mostram o que seria um caça russo Su-24 entrando no espaço aéreo da Geórgia e lançando o míssil.Investigadores identificaram o projétil como um míssil Raduga Kh-58, identificado pela Otan como AS-11, um armamento de fabricação russa destinado à destruição de sistemas de radar. De acordo com a versão de Tbilisi, o míssil transportava 140kg de TNT, mas não explodiu.Georgy Tatishvili, porta-voz do Ministério da Defesa da Geórgia, especulou durante conversa com a Associated Press que o avião russo estaria tentando destruir um radar georgiano instalado nas proximidades. A Força Aérea russa nega tanto o bombardeio quanto a própria incursão aérea.Tbilisi tem acusado Moscou de tentar desestabilizar o país e de apoiar separatistas nas regiões da Abkházia e da Ossétia do Sul. A região de Gori, onde caiu o míssil, fica próxima da Ossétia do Sul.A hipótese de que o disparo possa estar ligado a "eventos internos na Rússia, que se aproxima das eleições presidenciais de 2008 e, portanto, da sucessão de Putin", é uma das três consideradas pelo governo pró-ocidental da Geórgia.As outras duas são que a Rússia quer comprometer o processo de paz "muito promissor" iniciado em torno da região separatista da Ossétia do Sul, ou que quer atentar contra "a história bem-sucedida política e econômica da nova Geórgia democrática", segundo o ministro.As relações entre a Rússia e a Geórgia vêm se deteriorando devido a esforços de Tbilisi para escapar da influência russa, fortalecer uma aliança com os Estados Unidos e integrar-se à Otan.O general Marat Kulakhmetov, comandante das forças de paz russas na Ossétia do Sul, comentou que uma aeronave não identificada despejou a bomba depois de sobrevoar a região separatista e que houve disparos em resposta. Ele sugeriu que o avião teria saído de dentro da Geórgia.Boris Chochiyev, um vice-primeiro-ministro do governo separatista da Ossétia do Sul, acusou a Geórgia de ter lançado o míssil. A chancelaria georgiana nega que o país disponha dos modelos de avião e bomba que, segundo ela, foram usados no suposto ataque. Conselho de Segurança Bezhuashvili denunciou que a Geórgia "não obteve uma resposta apropriada da comunidade internacional frente ao comportamento da Rússia" em março, quando foi realizado um bombardeio russo a Kodor, na fronteira com a Abkházia."Protestamos com força e tentamos fazer com que o Conselho de Segurança da ONU discutisse o tema, assim como a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), mas a comunidade internacional permaneceu muda, e o resultado é que de novo somos bombardeados", disse o ministro.A Comissão Européia pediu nesta quarta moderação aos dois países após o incidente, que ameaça deteriorar ainda mais as tensas relações entre Tbilisi e Moscou."Pedimos às partes que mostrem contenção", disse em entrevista coletiva a porta-voz de Relações Exteriores da União Européia, Christiane Hohmann.A porta-voz também afirmou que o ocorrido não deve afetar o diálogo "sobre os conflitos latentes" entre os países, criados pelas reivindicações das regiões separatistas de Abkhazia e Ossétia do Sul.

Tudo o que sabemos sobre:
RússiamíssilGeorgia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.