Para analistas, novo premiê russo é 'peça de transição'

Nomeação de político desconhecido pode ser manobra do presidente para não virar figura simbólica

Reuters,

12 de setembro de 2007 | 19h22

Ao nomear um político pouco conhecido para o cargo de primeiro-ministro, nesta quarta-feira, 12, o presidente da Rússia, Vladimir Putin realizou uma surpreendente manobra que mantém as dúvidas sobre quem o sucederá no comando do governo russo. Veja Também Putin nomeia novo premiê e embola corrida presidencial A manobra, que veio após o pedido de renúncia do atual premiê, Mikhail Fradkov, pode significar que Putin espera fazer com que os eleitores continuem se perguntando a respeito de quem será seu sucessor. Com isso, o presidente evitaria transformar-se em uma figura meramente simbólica antes de deixar o poder oficialmente, em maio de 2008. "Ele (Zubkov) é provavelmente uma peça de transição, que continuará no poder até o começo do mandato do novo presidente e a nomeação de um novo governo", afirmou Natalya Orlova, economista-chefe do Alfa Bank em Moscou. Zubkov formou-se em economia e comandou fazendas do governo antes de trabalhar com Putin na prefeitura de São Petersburgo. Atualmente, chefiava o Serviço Federal de Monitoramento Financeiro, órgão responsável por combater a lavagem de dinheiro no país. A manobra de Putin frustrou a previsão feita por analistas de que o presidente colocaria no cargo algum dos principais nomes cogitados para sucedê-lo, dando assim um primeiro passo rumo à transição de poder. Foi dessa forma que se desenrolou o processo em 1999, quando o então presidente Boris Yeltsin transformou Putin em premiê, antes de, meses depois, nomeá-lo como presidente em exercício. O respeitado jornal de economia Vedomosti, em uma matéria divulgada no começo da quarta-feira, havia dito que Sergei Ivanov, primeiro-vice-premiê russo e fiel aliado de Putin, substituiria Fradkov em breve - uma opinião com a qual concordaram vários analistas. Putin, no entanto, já surpreendeu antes. Zubkov nunca havia sido mencionado como possível candidato presidencial. O presidente russo se reuniu com Fradkov para receber o pedido de renúncia dele e agradecê-lo pelo desempenho no cargo.Fradkov afirmou que abandonava o posto de premiê devido "à aproximação de eventos políticos importantes no país". Putin, que, pela Constituição, não pode buscar um terceiro mandato, prometeu deixar o cargo no próximo ano. Independente de quem apóie para sucedê-lo, o atual presidente deve conseguir colocar no comando do governo russo ume aliado seu. A eleição acontece em março de 2008.

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