Para missão européia, eleição russa 'não foi justa'

Observadores da Organização para aSegurança e Cooperação na Europa (OSCE) e do Conselho da Europadisseram na segunda-feira que a eleição parlamentar russa dedomingo, dominada por políticos governistas, "não foi justa". "A eleição para a Duma (Câmara dos Deputados) na FederaçãoRussa em 2 de dezembro de 2007 não foi justa e falhou emcumprir muitos dos compromissos e padrões da OSCE e do Conselhoda Europa para eleições democráticas", disse nota da missãoconjunta de observadores. A apuração já está praticamente concluída. O partido RússiaUnida, de Putin, tem 64,1 por cento dos votos, e dois outrosaliados do Kremlin somam 16 por cento. Os partidos ditos"liberais" (pró-ocidentais) não conseguiram representaçãoparlamentar. A União Européia (UE) também criticou o pleito, afirmandoque a liberdade de expressão e de congregação de pessoas haviasido violada antes das eleições. A nota da OSCE disse que, "em geral, as eleições foram bemorganizadas e os observadores notaram significativas melhoriastécnicas. Entretanto, ocorreram em uma atmosfera que limitouseriamente a competição política, não houve um terreno de jogopolítico nivelado na Rússia em 2007". O braço eleitoral da OSCE havia cancelado em novembro seusplanos de monitorar a eleição para a Duma, devido a demoras naconcessão dos vistos aos observadores. Assim, o monitoramentose reduziu a pequenas equipes formadas nas assembléiasparlamentares do Conselho da Europa e da OSCE. Menos de 80 políticos dos dois grupos tentaram acompanharuma eleição que ocorria em 96 mil seções, espalhadas por 11fusos horários. A nota citou "frequentes abusos dos recursosadministrativos, cobertura da mídia fortemente a favor dopartido governista e um código eleitoral cujo efeito cumulativoprejudicou o pluralismo político". O parlamentar sueco Goran Lennmarker, que viaja à Rússia há20 anos e comandou a equipe da OSCE, se disse frustrado com oprocesso eleitoral. "Achei que este seria um passo à frente...mas não foi ocaso, e isso me entristece", afirmou o sueco em entrevistacoletiva no centro de Moscou. Vladimir Churov, diretor da Comissão Eleitoral Centralrussa, já havia rejeitado as queixas da oposição, dizendo quenão houve violações graves no dia da votação. (Reportagem de Christian Lowe)

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