Para premiê turco, Justiça não tem autoridade para proibir véu

Erdogan diz que tribunal não pode restringir poder do Parlamento na liberalização do véu em universidades

Efe,

10 de junho de 2008 | 10h41

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, criticou duramente o Tribunal Constitucional da Turquia por restringir o poder legislativo do Parlamento e denunciou nesta terça-feira, 10, que a Corte usou autoridade que a Constituição não lhe concede. Em discurso ao seu grupo parlamentar em Ancara, o líder turco criticou o alto tribunal devido a sua decisão de anular as emendas constitucionais para permitir o livre uso do véu nas universidades. O premiê também exigiu que o Tribunal Constitucional explique as razões que o levaram a essa decisão, o que os juízes ainda não fizeram. Erdogan repetiu várias vezes que "o Parlamento não permitirá que o façam sombra" e também acusou o principal partido da oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP) por restringir a esfera da política. "Quando o poder legislativo comete um erro, os tribunais podem julgá-lo e também as pessoas podem julgá-lo nas eleições. Mas, quem julga o Poder Judiciário quando comete um erro? Agora há quem pergunte esta questão", disse o primeiro-ministro. O Tribunal Constitucional considerou que as emendas sobre o véu apoiadas pelo governante Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) e outros grupos parlamentares eram "contra o princípio imutável do laicismo presente na Constituição". Os analistas políticos acham que a decisão dos juízes indica que o AKP poderia ser ilegalizado no processo contra o partido, ainda pendente da decisão do Tribunal Constitucional.

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